domingo, 31 de outubro de 2010

Crise

Ando tão cansado
destas ideias que ao futuro me trazem amarrado
esses sonhos que comandavam a vida
nesses dias que já são passado
tudo por realizar, nada concretizado
tudo por culpa minha, cenários subavaliados
resolvo viver do que consegui
na forma e no estilo da vida que trouxe até aqui.
Pés no chão é o que é preciso para tirar a razão
aos sucessivos futuros que aos sonhos teimam em dizer não.

Joaquim Marques AC

domingo, 24 de outubro de 2010

Porque me deu Deus a intuição
Aquela voz silente, de dentro emergente
Que me avisa dum assunto candente
A paragem definitiva do coração?

Bato-te à porta, sabendo que não estás
Mas insisto, se tens intuição, ouvirás.

Não me assusta o ter que morrer
Quando for, que seja, o que tem mesmo que ser
Não gostaria é que fosse abandonado
Caído na valeta, inanimado
Tão pouco o queria assistido e entubado
Mas, a acontecer, o que o meu ser almeja
É que o fim aconteça e no teu colo eu esteja.

Joaquim Marques AC

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sobreviver

Dói, mesmo a valer,
é que é mesmo dor, e não tinha que ser,
esta dorida dor do ter que ser,
das obrigações do meu não querer.

Joaquim Marques AC

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

No pulsar dos dedos

Um sentimento assim não morre
nem se esquece ou esmorece
quem nele por sorte tropece
no tempo próprio do advento da partilha
do nosso eu, uma minúscula ilha
de mar calmo rodeada, temperada
de carícias e carinhos dados e aceitados
representados por mil beijos beijados
na ilha da vida
(paisagens e recantos e músicas e encantos)
e que por negra magia, um dia,
assumiu-se, unilateralmente terminaria.

Mas, não termina
permanece, mói, dói e aquece
as mãos gélidas , unidas em prece
e do brilho do olhar soltam-se gotículas a chorar
sentimentos magoados de mágoas quentes
ferventes, ondulantes tempestades de querer
de um sentimento como aquele, senti-lo partir para vê-lo morrer...

Mas, não morre
nem envelhece,
o pensamento que pensa que o esquece
só o engrandece.

Um sentimento assim, que a sorte um dia te trouxe
guarda-o, estima-o, porque um dia
terás uma bonita maneira de dizer o mesmo
e mesmo quem não saiba do que se trata,
saberá que o tratas com mestria,
sabendo-se, como já se sabia,
que um sentimento assim nunca morreria.


Joaquim Marques AC
03-10-2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O meu amor mora longe
intermitentemente longe
e tão perto do certo
que incerto é o tempo
que medeia desmedidamente longo
a luz da sua presença.

Joaquim Marques AC

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Existir devia ser o contrário de desistir
mas, não é!
Sendo o que é, existo desistindo de muito
forçado, contudo resignado
desisto de existir no fado
forçando a ideia do meu enfado
a existir calado
desistindo de mim.

Joaquim Marques AC

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Meio dia cheio de nada
Meia hora parada
Meio mundo presente

E a minha vida ausente.


Joaquim Marques

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Para ti, que não te conheço.

Quero escrever-te um poema
Um escrito singular
Que reflicta em ti a serenidade que sinto no ar
Quero que seja uma bomba
Estrondosa como o som de um trovão
Que te envolva,
Te engula e cristalize
Como na lava de um vulcão.
Mas não consigo
Não sei fazer coisas por encomenda
Apelo à minha sensibilidade
Apelo à inspiração
E nada.
Só me saem estas linhas, estas palavras soltas
Estas rimas ocas
Sem conteúdo, sem emoção
Sem alma nem coração.
Mas eu estou bem, calmo, tranquilo, em paz
E quando estou assim não sou capaz...
Tu estás a ler
Agora
E nada te acontece, nada te estremece
Não leste aqui nada de belo, triste ou eufórico
Nada de metafórico
A não ser esta minha paz e a vontade de que me leias.

Sinto tanta falta de ti e não sei quem és.


Joaquim Marques

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sinto-te na minha tristeza
sinto-te tanto meu amor
sinto-te na dor, na tua meu amor.
Nesta noite cálida e seca
choram os pirilampos da lagoa
e a aurora cobrirá de orvalho as avencas
serão as lágrimas que não consegui suster
a noite inteira acordado até ao alvorecer
à tua espera, à espera que desças daquelas estrelas cadentes
e te venhas aninhar no meu colo, definitivamente.

domingo, 1 de agosto de 2010

Conjugam-se os factores
Amores, desamores, dores interiores
Desalentos, intensos odores
Farejados à distância
Nos Agostos dos meus desgostos
Uma penitência de vida cumprida
Nadando em espiral
Esquivo-me ao buraco negro do mal
Mas, não tenho público no meu espectáculo.
Se um dia sentir em mim um cancro
Não vou dizer a ninguém
Não quero cuidados paliativos no hospital
Nem quero carpideiras no meu funeral
Habituei-me tanto ao silêncio em vida
Quero vivê-lo na partida também.

Joaquim Marques AC