terça-feira, 11 de agosto de 2009

Livro IV Poema 11

Nasce quente o dia presente
a alvorada toca à minha porta fechada
levemente
desperto sonolento à jornada, de madrugada
crente
que a frescura dos Verões passados, hoje
ausente
leve, levemente, os meus passos, amanhã
evidentemente
até ti, rosa florida por entre espinhos do cacto que serei.

Joaquim Marques

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Livro IV Poema 10

Deste um pontapé na escuridão e
Alva, a tua luz iluminou a madrugada
Neste dia, deste Agosto, pensamentos de gosto
Invadiram a minha memória.

Joaquim Marques

sábado, 18 de julho de 2009

Jumento

Já me li inúmeras vezes
e ao ler a lida palavra, solta-se despregada
do sentido atendido à época.

Procurei, e mesmo assim não sei
se da procura que em ti busco
resulta inspirada a reflexão da luz ténue
que mesmo assim ofusco
na hilariante procura do veio, centrípeto,
do ser que não conheço e alimento.

Digo-me ao espelho:
se julgas que ao ler as tuas atoardas
o outro, de ti, em ti, por ti, sacia-se sedento,
és um jumento!

Sou aquilo que não sei,
menos que jumento não serei
e isso já me conforta.

sábado, 6 de junho de 2009

Eleições

Exuberante exagero vagueia pelo pensamento
atordoado pela atoarda lançada
em vil palavras vomitadas
pelos candidatos a cândidos actos,
e eu, o seu alvo desacertado, incólume permaneço.
Depois de amanhã haverá novo começo
entretanto, adormeço.

Sonha, sonha meu herói
sonha, que sonhar não dói
faz votos devotos nos votos postos.

Ouço a voz do povo,
e dos mudos, dos cegos e surdos
sinto-lhes a vontade:
sonham acordar envoltos em sorrisos de esperança banal.

Joaquim Marques AC

quinta-feira, 5 de março de 2009

"Se pudesse desejar"... desejaria:

Que a palavra brote de Ti,
como brotam as árvores em final de Inverno
e desse brotar
para quem leia e saiba ver
renasçam Primaveras constantemente
nos espíritos aventureiros
dos humanos em busca do belo.

Joaquim Marques

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Livro IV Poema 06

Não nos confundas!
Eu sou um marujo de águas rasas
do meu ribeiro não chegarei ao mar
nem a minha barca irá alcançar a outra margem
estou preso à barca e ela a mim e ambos assim
gostamos de estar
deste lado da margem
sem corrente, sem forças que nos levem de arrasto.
Portanto não nos confundas
há mais Joaquins a navegar
noutras águas
mais fundas
noutros rios tão grandes que se confundem com o mar.

Joaquim Marques AC

domingo, 25 de janeiro de 2009

Livro IV Poema 05

Caladinho, penso cá com os meus botões
devagarinho, cá vou trilhando caminho
olho pró lado, lado a lado com mil razões
caíram tantos de fininho...

Haverá melhor eternidade
que esta que vivo desde tenra idade?
nem os mais próximo do divino
experimentaram à saciedade
a que eu desfruto no meu caminho.
Tanto Papa, Presidente, país independente
tanto de tudo, que por mim passou
e eu com os meus botões canto contente
adiante, eterno, fiz-me gente!
Medito em vós, o esforço despendido
a sós, Verão vivido
anos e anos após
o primeiro ter nascido
escrito em forma de poema de mim.

Joaquim Marques

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Livro IV Poema 04

Ser poeta é muita coisa,
Há tanta definição...
E eu, simples escriba de mim mesmo
Não me revejo
Em nada
E sinto uma aflição
Porque quando os leio, não os entendo.
O mal é meu, eu sei
Poeta, certamente não serei
Se sinto, escrevo
Escrever por escrever, não sei.

Joaquim Marques

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Livro IV Poema 03

Uma gota de limão
Na tua, de mel
Reforça as defesas
E derruba as fraquezas
E doce parecerá o fel
Que te inunda o coração.
Já se sabe que a água gelada
Aquece os pés frios
E cura qualquer constipação.

Joaquim Marques

sábado, 10 de janeiro de 2009

Livro IV Poema 02

Cansei-me de andar cansado
Cansei-me e pronto!
Agora dou-me um desconto
Viro-me pró outro lado
E adormeço.
Quando acordar
Acontecerá um novo começo
Novos caminhos a trilhar
Ou não...

Joaquim Marques