terça-feira, 26 de novembro de 2013

ROSA VERMELHA e PASSARINHO BEIJA-FLOR

Dueto


Sim!... É “pura ficção”:
Tu és o meu beija-flor!
Sou tua rosa vermelha!
Porém, diz meu coração,
que na essência do amor,
somos da mesma centelha!...
E ai de mim, se não fosse
a minha alma cigana...
a sonhar o beijo doce
com sabor do mel da cana!


Rosa Vermelha,
Sim, somos da mesma centelha:
Somos coração partido
Experimentámos o amor sofrido.
Conheci a tua alma cigana
A sonhar o beijo doce
Com sabor a mel de cana;
Conheci-te
E adoptei-me minha mana.
Perguntarás aos anjos se saberão
As razões do coração,
O respeito que de mim emana
Quando te beijo com sabor a mel de cana,
Porque não o faço a outra flor
Que na vida encontro pelo caminho
Nesta personagem de passarinho
Que tu chamaste beija-flor.


Cativante beija-flor!...
O coração tem razões
que a razão desconhece.
Estou bebendo o licor
de fraternas efusões...
e em “meu sonhar”, floresce
a flor da pura amizade...
que às vezes, muda de cor:
é quando sente saudade!
Poeta-Irmão d’além mar!...
Tua manifestação
de respeitoso carinho,
a minha alma, engalana!...
E como é bom, registrar:
Agora, em meu coração,
tens um vitalício ninho!...
É doce ser tua mana!
De mão dada pelo caminho
Mata fechada, campo aberto
Mesmo em pleno deserto
Contigo minha flor
Cantarei como um passarinho
Cânticos de alegria sem dor
Porque agora tenho um vitalício ninho
Protegido por rosáceas telhas
Feito de pétalas vermelhas
Das tuas pétalas minha flor
Desfolhadas suavemente
Quando te beijo respeitosamente
Como beija um beija-flor.

Dilma Damasceno e Joaquim Marques

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

dos poemas, o mais bonito
é o que me acontece em pensamento
e não consigo passar a escrito

Joaquim Marques AC

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Sou um poema em branco
como um cheque com fundos
para preencheres a teu modo
e me leias do teu jeito
mesmo que cresçam urtigas no leito onde me deito.

Joaquim Marques AC


sábado, 5 de outubro de 2013

Supérfluo

Há dias, como os presentes, que não quero que me leias
nem que me sintas nas palavras publicadas
nada há de mais supérfluo que as palavras que publico
há dias em que não sei fazer mais nada senão ficar a imaginar-te calada
aí, assim especada, a ler o que não consegues entender
e eu aqui calado, envergonhado por não saber escrever com alegria a dor que sinto.
Nunca irei publicar em papel, não tenho valor comercial
nem dinheiro para igualar a vaidade dos que fazem edições de autor
não me imagino a distribuir livros meus a amigos que não tenho
ou a fazer sessões de autógrafos para uma plateia vazia
prefiro, então, que me leias aqui, é mais confortável para ambos
eu não sei quem és, tu pensas que sabes quem sou.
Estamos já no século vinte e um, no ano treze em Outubro
ando triste, por nós: por mim, pelo Joaquim e por ti, que perdes tempo a ler-me aqui.

Joaquim Marques AC





domingo, 29 de setembro de 2013

Preciso de um verdadeiro amigo
que se preocupe comigo
não questione e se faça presente
como eu fui de tanta gente, agora ausente.

Joaquim Marques AC

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Pátria

A pátria do outro era a língua
a minha é a memória
da audácia corajosa de ir além dos limites da história
das crenças, por entre desavenças, vencendo a razão
dum punhado de povo iluminado
que a todos beneficiou, principalmente o coitado
do velho do Restelo e da sua descendência, imensa
prole que até hoje predomina
e mina o encanto
de ser gente heróica, bater o pé e ver além
enriquecendo a memória, para alguns insana
para mim o combustível que mantém viva a chama
de um mundo Luso, parido pela tradição lusitana
desde Viriato na Estrela, até Dili com Chanana.
Experimentou Camões na Roma do Oriente
amores infinitos, inspirações líricas na lusíada cultura
experimentei eu, nessa Goa hindu agonizada
desfolhado o cardápio, após uma longa jornada
o caldo verde, como típica entrada!
Chamem-me à memória dos tempos
resgatem-me dos contratempos
unam-se a mim no declarar
que ser luso é estar acima das tricas, das troicas e da ideologia saxónica
é ter consciência que metade dum povo que labuta
tem para onde ir, desde que vá com o tempo, tendo na memória a conduta!

Joaquim Marques AC


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Saberás um dia
que não foi em vão que te escrevia
versos de fantasia
como se florescesse um cravo vermelho no teu peito
ao lado do direito
por cima do mamilo rosado
até que a água do mar salgado me ter fustigado
transportado para longe pela onda do destino:
coisas que acontecem sem tino,
a despeito do meu respeito
que nos diferencia entre gerações.
Perco-me por ti, perdido entre orações
como o pulsar dos dedos, estendidos, a pedir mil perdões.

Joaquim Marques AC

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Sou


Sou como um pêndulo
Igual ao do carrilhão da minha avó
Para lá e para cá
Para cá e para lá...
E no preciso momento
Naquele segmento de tempo
Que medeia o vaivém
É precisamente ali que sou alguém.
Não sou nem triste nem alegre
Nem forte nem fraco
Nem mau nem bom
Nem fiel nem infiel
Nem presente nem ausente
Não estou nem cá nem lá
Estou ali, no meio, naquele instante.
Às vezes paro ali no tempo
Até que um impulso externo
Me devolve o movimento.
E assim levo a vida:
Atribulada na ida
Serena na volta.


Joaquim Marques

sábado, 27 de julho de 2013

Para não estar sozinho
acompanho-me de mim
do meu outro lado, não sei se o bom se o ruim
o problema é que muitas vezes
estou sozinho sem mim
e isso é que é mesmo ruim.

Joaquim Marques A.C.

terça-feira, 3 de julho de 2012

O canto do cisne que não tive
ecoa para lá da fantasia
em momentos de pura alegria
que no futuro presenciei quando lá estive.

Joaquim Marques AC