quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O meu amor mora longe
intermitentemente longe
e tão perto do certo
que incerto é o tempo
que medeia desmedidamente longo
a luz da sua presença.

Joaquim Marques AC

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Existir devia ser o contrário de desistir
mas, não é!
Sendo o que é, existo desistindo de muito
forçado, contudo resignado
desisto de existir no fado
forçando a ideia do meu enfado
a existir calado
desistindo de mim.

Joaquim Marques AC

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Meio dia cheio de nada
Meia hora parada
Meio mundo presente

E a minha vida ausente.


Joaquim Marques

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Para ti, que não te conheço.

Quero escrever-te um poema
Um escrito singular
Que reflicta em ti a serenidade que sinto no ar
Quero que seja uma bomba
Estrondosa como o som de um trovão
Que te envolva,
Te engula e cristalize
Como na lava de um vulcão.
Mas não consigo
Não sei fazer coisas por encomenda
Apelo à minha sensibilidade
Apelo à inspiração
E nada.
Só me saem estas linhas, estas palavras soltas
Estas rimas ocas
Sem conteúdo, sem emoção
Sem alma nem coração.
Mas eu estou bem, calmo, tranquilo, em paz
E quando estou assim não sou capaz...
Tu estás a ler
Agora
E nada te acontece, nada te estremece
Não leste aqui nada de belo, triste ou eufórico
Nada de metafórico
A não ser esta minha paz e a vontade de que me leias.

Sinto tanta falta de ti e não sei quem és.


Joaquim Marques

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sinto-te na minha tristeza
sinto-te tanto meu amor
sinto-te na dor, na tua meu amor.
Nesta noite cálida e seca
choram os pirilampos da lagoa
e a aurora cobrirá de orvalho as avencas
serão as lágrimas que não consegui suster
a noite inteira acordado até ao alvorecer
à tua espera, à espera que desças daquelas estrelas cadentes
e te venhas aninhar no meu colo, definitivamente.

domingo, 1 de agosto de 2010

Conjugam-se os factores
Amores, desamores, dores interiores
Desalentos, intensos odores
Farejados à distância
Nos Agostos dos meus desgostos
Uma penitência de vida cumprida
Nadando em espiral
Esquivo-me ao buraco negro do mal
Mas, não tenho público no meu espectáculo.
Se um dia sentir em mim um cancro
Não vou dizer a ninguém
Não quero cuidados paliativos no hospital
Nem quero carpideiras no meu funeral
Habituei-me tanto ao silêncio em vida
Quero vivê-lo na partida também.

Joaquim Marques AC

domingo, 18 de julho de 2010

O Óbvio

Meu, é aquilo que não é de mais ninguém. Vosso, é tudo aquilo o que não é meu. Nosso, é tudo aquilo que, em vida, partilhamos e usufruímos. Deles, é tudo o que fica para além da morte. Se a morte faz parte da vida, se na vida partilhamos e usufruímos, vossa será também a morte e tudo aquilo, não será de mais ninguém. A vida é efémera e na morte eterna, nós partilharemos a minha grandeza de espírito excepto, o vosso material bem.

Joaquim Marques

sábado, 17 de julho de 2010

A MESA

Uma mesa posta, sempre bem posta,
mesmo que a posta que nos caiba,
caiba na fenda dum dente,
é essencial a qualquer refeição
onde eu esteja presente
e seja o anfitrião.
Só cozinho quando tenho fome!
Só sacio a minha fome em companhia!
Antes de tudo mais,
imagino os sabores dos cozinhados,
na mesa posta, empratados!
E assim delicio-me na imaginação
da satisfação que aos outros vou proporcionar.
Só então vou para a cozinha, cozinhar!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Esclarecer

todos os que aqui vêm e sabem ler
devem atender ao pedido de a todos fazer crer
que todo o mundo deve saber
que da minha escrita nada há a esclarecer
pois que, nem a mim, muitas vezes, sei entender.

domingo, 6 de junho de 2010

Fingindo fingir
Aquilo que sou
Procuro na estrada que percorri
Demonstrar o meu sentir
Pelo pensamento que cessou.
Finjo a ideia que já li
Quero ter o meu provir
Na nova ideia que começou.

Finge a fingir aquilo que é
A criança e a Primavera
Na floração da inocência
Do fingir de um bebé.

Finge o Mundo
E os Homens de boa crença
A ideia do poço profundo
Da sociedade que assim é
Na herança terna e tensa
Do fingir de um bebé.

Fingem a fome miserável
No discurso de um banquete
Os Homens de boa crença
Desdenhando o indesejável.

Finge arte e o poeta
O filósofo idiota
No Homem e na meta,
A ideia que já findou
Do crer de uma criança,
Do sentir que não é
Fingindo a morte que não cansa
No fingir de um bebé.

Não viver no fingir
Do dia que começou
Nasce em mim a esperança
Procurando na estrada que percorri
Demonstrar o meu sentir
Pelo pensamento que cessou.
Não fingindo a ideia que já li
Quero ter o meu provir
Na nova ideia que começou.



Joaquim Marques