Quero escrever-te um poema
Um escrito singular
Que reflicta em ti a serenidade que sinto no ar
Quero que seja uma bomba
Estrondosa como o som de um trovão
Que te envolva,
Te engula e cristalize
Como na lava de um vulcão.
Mas não consigo
Não sei fazer coisas por encomenda
Apelo à minha sensibilidade
Apelo à inspiração
E nada.
Só me saem estas linhas, estas palavras soltas
Estas rimas ocas
Sem conteúdo, sem emoção
Sem alma nem coração.
Mas eu estou bem, calmo, tranquilo, em paz
E quando estou assim não sou capaz...
Tu estás a ler
Agora
E nada te acontece, nada te estremece
Não leste aqui nada de belo, triste ou eufórico
Nada de metafórico
A não ser esta minha paz e a vontade de que me leias.
Sinto tanta falta de ti e não sei quem és.
Joaquim Marques
terça-feira, 10 de agosto de 2010
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Sinto-te na minha tristeza
sinto-te tanto meu amor
sinto-te na dor, na tua meu amor.
Nesta noite cálida e seca
choram os pirilampos da lagoa
e a aurora cobrirá de orvalho as avencas
serão as lágrimas que não consegui suster
a noite inteira acordado até ao alvorecer
à tua espera, à espera que desças daquelas estrelas cadentes
e te venhas aninhar no meu colo, definitivamente.
sinto-te tanto meu amor
sinto-te na dor, na tua meu amor.
Nesta noite cálida e seca
choram os pirilampos da lagoa
e a aurora cobrirá de orvalho as avencas
serão as lágrimas que não consegui suster
a noite inteira acordado até ao alvorecer
à tua espera, à espera que desças daquelas estrelas cadentes
e te venhas aninhar no meu colo, definitivamente.
domingo, 1 de agosto de 2010
Conjugam-se os factores
Amores, desamores, dores interiores
Desalentos, intensos odores
Farejados à distância
Nos Agostos dos meus desgostos
Uma penitência de vida cumprida
Nadando em espiral
Esquivo-me ao buraco negro do mal
Mas, não tenho público no meu espectáculo.
Se um dia sentir em mim um cancro
Não vou dizer a ninguém
Não quero cuidados paliativos no hospital
Nem quero carpideiras no meu funeral
Habituei-me tanto ao silêncio em vida
Quero vivê-lo na partida também.
Joaquim Marques AC
Amores, desamores, dores interiores
Desalentos, intensos odores
Farejados à distância
Nos Agostos dos meus desgostos
Uma penitência de vida cumprida
Nadando em espiral
Esquivo-me ao buraco negro do mal
Mas, não tenho público no meu espectáculo.
Se um dia sentir em mim um cancro
Não vou dizer a ninguém
Não quero cuidados paliativos no hospital
Nem quero carpideiras no meu funeral
Habituei-me tanto ao silêncio em vida
Quero vivê-lo na partida também.
Joaquim Marques AC
domingo, 18 de julho de 2010
O Óbvio
Meu, é aquilo que não é de mais ninguém. Vosso, é tudo aquilo o que não é meu. Nosso, é tudo aquilo que, em vida, partilhamos e usufruímos. Deles, é tudo o que fica para além da morte. Se a morte faz parte da vida, se na vida partilhamos e usufruímos, vossa será também a morte e tudo aquilo, não será de mais ninguém. A vida é efémera e na morte eterna, nós partilharemos a minha grandeza de espírito excepto, o vosso material bem.
sábado, 17 de julho de 2010
A MESA
Uma mesa posta, sempre bem posta,
mesmo que a posta que nos caiba,
caiba na fenda dum dente,
é essencial a qualquer refeição
onde eu esteja presente
e seja o anfitrião.
Só cozinho quando tenho fome!
Só sacio a minha fome em companhia!
Antes de tudo mais,
imagino os sabores dos cozinhados,
na mesa posta, empratados!
E assim delicio-me na imaginação
da satisfação que aos outros vou proporcionar.
Só então vou para a cozinha, cozinhar!
mesmo que a posta que nos caiba,
caiba na fenda dum dente,
é essencial a qualquer refeição
onde eu esteja presente
e seja o anfitrião.
Só cozinho quando tenho fome!
Só sacio a minha fome em companhia!
Antes de tudo mais,
imagino os sabores dos cozinhados,
na mesa posta, empratados!
E assim delicio-me na imaginação
da satisfação que aos outros vou proporcionar.
Só então vou para a cozinha, cozinhar!
Joaquim Marques
(http://cozinhaveis-cozinhados-cozidos.blogspot.com/)
(http://cozinhaveis-cozinhados-cozidos.blogspot.com/)
terça-feira, 13 de julho de 2010
Esclarecer
todos os que aqui vêm e sabem ler
devem atender ao pedido de a todos fazer crer
que todo o mundo deve saber
que da minha escrita nada há a esclarecer
pois que, nem a mim, muitas vezes, sei entender.
devem atender ao pedido de a todos fazer crer
que todo o mundo deve saber
que da minha escrita nada há a esclarecer
pois que, nem a mim, muitas vezes, sei entender.
domingo, 6 de junho de 2010
Fingindo fingir
Aquilo que sou
Procuro na estrada que percorri
Demonstrar o meu sentir
Pelo pensamento que cessou.
Finjo a ideia que já li
Quero ter o meu provir
Na nova ideia que começou.
Finge a fingir aquilo que é
A criança e a Primavera
Na floração da inocência
Do fingir de um bebé.
Finge o Mundo
E os Homens de boa crença
A ideia do poço profundo
Da sociedade que assim é
Na herança terna e tensa
Do fingir de um bebé.
Fingem a fome miserável
No discurso de um banquete
Os Homens de boa crença
Desdenhando o indesejável.
Finge arte e o poeta
O filósofo idiota
No Homem e na meta,
A ideia que já findou
Do crer de uma criança,
Do sentir que não é
Fingindo a morte que não cansa
No fingir de um bebé.
Não viver no fingir
Do dia que começou
Nasce em mim a esperança
Procurando na estrada que percorri
Demonstrar o meu sentir
Pelo pensamento que cessou.
Não fingindo a ideia que já li
Quero ter o meu provir
Na nova ideia que começou.
Joaquim Marques
Aquilo que sou
Procuro na estrada que percorri
Demonstrar o meu sentir
Pelo pensamento que cessou.
Finjo a ideia que já li
Quero ter o meu provir
Na nova ideia que começou.
Finge a fingir aquilo que é
A criança e a Primavera
Na floração da inocência
Do fingir de um bebé.
Finge o Mundo
E os Homens de boa crença
A ideia do poço profundo
Da sociedade que assim é
Na herança terna e tensa
Do fingir de um bebé.
Fingem a fome miserável
No discurso de um banquete
Os Homens de boa crença
Desdenhando o indesejável.
Finge arte e o poeta
O filósofo idiota
No Homem e na meta,
A ideia que já findou
Do crer de uma criança,
Do sentir que não é
Fingindo a morte que não cansa
No fingir de um bebé.
Não viver no fingir
Do dia que começou
Nasce em mim a esperança
Procurando na estrada que percorri
Demonstrar o meu sentir
Pelo pensamento que cessou.
Não fingindo a ideia que já li
Quero ter o meu provir
Na nova ideia que começou.
Joaquim Marques
sábado, 22 de maio de 2010
Fragilidade
Ao ter entregue nas tuas mãos
a minha fragilidade,
entreguei as chaves do meu cofre forte.
Só há uma chave,
só existe este cofre,
só tu conheces o segredo.
Sou teu,
não no momento em que te beijo,
ou que faço amor contigo,
ou que te presenteio,
ou que te surpreendo com um sorriso.
Sou teu quando choro.
Sou de quem eu confio a minha fragilidade.
Joaquim Marques
a minha fragilidade,
entreguei as chaves do meu cofre forte.
Só há uma chave,
só existe este cofre,
só tu conheces o segredo.
Sou teu,
não no momento em que te beijo,
ou que faço amor contigo,
ou que te presenteio,
ou que te surpreendo com um sorriso.
Sou teu quando choro.
Sou de quem eu confio a minha fragilidade.
Joaquim Marques
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Sou
Sou como um pêndulo
Igual ao do carrilhão da minha avó
Para lá e para cá
Para cá e para lá...
E no preciso momento
Naquele segmento de tempo
Que medeia o vaivém
É precisamente ali que sou alguém.
Não sou nem triste nem alegre
Nem forte nem fraco
Nem mau nem bom
Nem fiel nem infiel
Nem presente nem ausente
Não estou nem cá nem lá
Estou ali, no meio, naquele instante.
Às vezes paro ali no tempo
Até que um impulso externo
Me devolve o movimento.
E assim levo a vida:
Atribulada na ida
Serena na volta.
Joaquim Marques
Igual ao do carrilhão da minha avó
Para lá e para cá
Para cá e para lá...
E no preciso momento
Naquele segmento de tempo
Que medeia o vaivém
É precisamente ali que sou alguém.
Não sou nem triste nem alegre
Nem forte nem fraco
Nem mau nem bom
Nem fiel nem infiel
Nem presente nem ausente
Não estou nem cá nem lá
Estou ali, no meio, naquele instante.
Às vezes paro ali no tempo
Até que um impulso externo
Me devolve o movimento.
E assim levo a vida:
Atribulada na ida
Serena na volta.
Joaquim Marques
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Saga
Quantas vezes se me esgotam as palavras
no reservatório onde penso que as guardo
nos momentos de deslumbramento genuíno
perante a saga que foi essa tua batalha contra o destino.
Quantas vezes, como a de agora
em que me socorro da nascente cálida
do meu lençol de fluidos subterrâneo
que se cruza com a chaminé de lava
do vulcão em constante erupção
neste profundo oceano de água fria
onde navego, solitário, dia após dia.
Que será de mim, pequeno pássaro azul,
aspirante a escriba de mim mesmo
sem as palavras que te quero deixar
como um afago, um cantar embevecido,
pela grandeza do teu ser no teu tempo sofrido.
Apelo à inspiração do fundo,
aquela que se revela quando quer,
que excepcionalmente nesta hora
me socorra, porque cá dentro dói e chora
um adulto com vontade de voltar a nascer,
ou se isso for pedir muito, deixar fluir os dias
e ao teu lado um dia morrer.
Joaquim Marques
no reservatório onde penso que as guardo
nos momentos de deslumbramento genuíno
perante a saga que foi essa tua batalha contra o destino.
Quantas vezes, como a de agora
em que me socorro da nascente cálida
do meu lençol de fluidos subterrâneo
que se cruza com a chaminé de lava
do vulcão em constante erupção
neste profundo oceano de água fria
onde navego, solitário, dia após dia.
Que será de mim, pequeno pássaro azul,
aspirante a escriba de mim mesmo
sem as palavras que te quero deixar
como um afago, um cantar embevecido,
pela grandeza do teu ser no teu tempo sofrido.
Apelo à inspiração do fundo,
aquela que se revela quando quer,
que excepcionalmente nesta hora
me socorra, porque cá dentro dói e chora
um adulto com vontade de voltar a nascer,
ou se isso for pedir muito, deixar fluir os dias
e ao teu lado um dia morrer.
Joaquim Marques
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