segunda-feira, 23 de julho de 2007

Já te perdi
Apesar de nunca te ter tido
Tu és um sonho que vivi
Um amor que em outra vida não ficou esquecido.

Cruzámo-nos, encantámo-nos
Vivemos o idílico
Momentos breves, espaçados
Intensos, inesperados
Mas os comboios das nossas vidas
Seguem em direcções opostas.

Retenho de ti o teu olhar
O teu sorriso, o teu cheiro ao te abraçar
Eternamente gostarei de ti só por gostar
Sem nada te pedir, sem nada te cobrar.

Boa viagem meu amor
Dá atenção ao teu petiz
E nesta vida serás muito feliz.

Joaquim Marques

sábado, 21 de julho de 2007

Salvé 21 de Julho de 2007

O tempo passa...
Um dia destes fui pai
De uma menina muito pequenina
E só nessa altura reparei
No tamanho da palma da minha mão
Enorme, trémula,
Parecia que por ali me saltava o coração.
Depois foi regredindo
Pouco a pouco
Com o passar dos dias
Dos anos, das incertezas, das alegrias
Encolheu como a fibra de algodão
E hoje já não treme a minha mão
Está mais forte, mais rija e consistente
Porque já não és uma menina pequenina
Tornaste-te uma mulher surpreendente
Perspicaz, inteligente
Dona de ti, do teu futuro.
Foram precisos dezoito anos volver
Para a minha mão deixar de tremer.

Joaquim Marques

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Tu pedes-me um minuto
E eu dou-te o tempo da minha vida.
E darei eternamente
Mesmo que só em memórias
Eu esteja presente.

Não tenhas pressa
Faz o que tens a fazer
E regressa
Eu estarei sempre aqui.
Há muitas vidas que te perdi
E agora ao te reencontrar
Nunca mais te vou largar.
Vá, faz o que tens a fazer
Arranja-te a condizer
De mão dada vou-te levar
Aos jardins do Paraíso
É para lá que vamos viver
Onde o tempo do nosso querer
Tem milhões de minutos para oferecer.

Joaquim Marques

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Estou perdido!
Perdido nesta selva de pensamentos inglórios
Do passado que me pertence,
Presente, sempre,
Na hora amarga
Da retrospectiva profunda.
Perdido de esperança
Que não conheço e alimento
Com ingénuo viver.
Que pensam os outros
Do meu pensar
Quando perdido a chorar
Aperto a dor que não cessa?
Sou assim:
Perdido e a chorar
A existência conseguida
Nesta vala de sangue e de dor
Do passado,
Neste presente perdido.

Joaquim Marques

sábado, 14 de julho de 2007

Cheguei a casa já passava das oito
Arrumei as compras
Deixei a salada e os filetes ali de lado
Não liguei a televisão
Coloquei dois panos individuais novos
Branco pérola
Os pratos da mesma cor e os talheres
Os copos de cristal e os guardanapos
Estava a mesa posta para nós os dois.
Temperei a salada naquela saladeira de cristal
O pão fresco na cesta
Servi no meu prato os filetes
Abri uma garrafa de vinho branco seco
E jantei sozinho contigo
Em silêncio, em harmonia
E decidi de agora em diante assim fazer
Todos os dias
Como hoje
Em que só estiveste presente no meu pensamento.
E assim em paz
Tranquilamente farei o meu luto.

Joaquim Marques

terça-feira, 10 de julho de 2007

Agradecimento

Em 4 meses de experiência blogueira
publiquei 156 escritos
recebi 360 comentários de leitores amigos
alguns (poucos) de menos amigos que recusei
visitaram-me no blog 4980 vezes
visitantes oriundos de 20 países diferentes.

Então não me resta mais que
AGRADECER com um BEM HAJA especial
e prometer-vos voltar a publicar brevemente.

Joaquim Marques

quarta-feira, 4 de julho de 2007

INTERVALO

De 2007-03-04
A 2007-07-04
Todos os dias
Foi muito barulho
Agora
O silêncio
Finalmente, o silêncio
Preciso tanto dele para me voltar a ouvir.
Até a um dia destes
Espero que entendas.

Joaquim Marques

terça-feira, 3 de julho de 2007

Teimoso?!
Dizes que ele é teimoso
E tu? És o quê?
Ninguém teima sozinho!
Insistes em puxá-lo para ti
E ele não arreda pé
Não é?
Se queres que o porco ande para a frente
Puxa-lhe o rabo para trás!

Joaquim Marques

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Preguei uma partida a mim mesmo
Uma mentirinha muito pequenina...
Não havendo mais nenhum ser por perto
Pus-me à frente do espelho
E perguntei àquele ser parecido comigo,
Seria eu por certo,
Se era a vista direita que eu apontava
E apontei para a vista seleccionada
E ele, naquele ar altivo, imitador de convicção reputada
Apontou para a vista errada
A esquerda não tinha sido a seleccionada.
Quis-me enganar...
Pedi-lhe então que esperasse ali por mim
E dei meia volta
Saí da frente do espelho.
E nunca mais lá voltei.
O coitado ainda lá deve estar à minha espera.



Joaquim Marques

domingo, 1 de julho de 2007

Já estamos em Julho
já estou na minha recta final
é a ultima volta ao anfiteatro
desta maratona
há muito iniciada.
Iniciei-a confiante
passo a passo, quilómetros galgados
quase fui abaixo, quase esmoreci
vi-os cair, desistir, abandonar
senti as mesmas dores, maiores angústias
duvidei dos incentivos
mas nunca duvidei de mim
e agora olho para trás
como fazem os vencedores
e solitário sorrio, aceno, dou pulos
aceito os aplausos dos anónimos vibrantes
já só me faltam estes últimos metros
e sinto nas pernas do meu querer
forças para outras maratonas vencer.
No entanto choro.
É triste esta minha alegria fugaz
porque não planeei estar só na vitória.

01 de Julho de 2007
Joaquim Marques