domingo, 30 de setembro de 2007

Atrasado ao fim da vida cheguei
Foi a justificação que à morte dei.
Ainda não será desta que ela me vai levar
E não me dá nada jeito ir no transporte seguinte
Mais ano, menos ano,
Quem é que lá vai notar
A minha ausência?
Mesmo assim vou a uma junta médica
Pedir um atestado de demência
Para justificar a minha falta.
Uma baixa por tempo indeterminado
Vinha mesmo a calhar!

Fico por aqui mais um bocadinho
Vou aproveitar para conhecer um novo ninho
Pedir que me cantem canções de ninar
Sim, vou viajar, mas para outro lugar.

É sina chegar atrasado?
Não, é manha e vontade de voar
Assim livre de ti e do passado
Noutro regaço quero-me aninhar
O meu problema é qual a direcção tomar.

Joaquim Marques

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Olhei o mar,
Naquela praia igual
Repleta de gente normal
Olhei para mim ali
E foi vergonha o que senti
De mim, pela minha presença
Distante
Ausente
Estava ali e não estava, e não deveria ter estado.



Joaquim Marques

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Contraditório
Comigo, em mim
Não me sabia assim:
Calmo, cordato, simpático
Agitado, ordinário, antipático
Tudo em momentos subsequentes.
Não me sabia assim:
Estúpido, lúcido...
Destemido, introvertido...
Começo pelo fim, termino no prólogo
Preciso de um psicólogo?
Não! Eu nunca fui assim!
Tu é que me tiras do sério!



Joaquim Marques

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Se um dia eu for a casa daquele Amigo
E te levar comigo
Pela mão, como um irmão,
Ele não vai acreditar
Em nenhuma explicação
Em nada que eu lhe diga
E o convença do contrário
Mesmo que eu lhe reze as contas do meu rosário.
O meu Amigo é especial
Conhece-me por inteiro
Só ele sabe do meu sentimento verdadeiro
Do medo que eu tenho do amor traiçoeiro,
E que mascaro o pulsar do coração
Quando agitado por te levar pela mão.
Quero ser teu irmão
Porque não te quero perder
Quero amar-te até morrer
Amar-te mesmo a valer
De graça, com Graça, pela Graça de Deus.
Quando te sentir assim,
E me aceitares no seio dos teus
A quereres o mesmo de mim
Com a mesma intensidade
Ah minha mana,
É tudo o que o meu coração clama!
Nesse dia voltarei à eternidade
Darei como missão cumprida
Este caminho, esta busca desde tenra idade
Que fiz por ti, alma gémea perdida.


Joaquim Marques

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Agora, agorinha mesmo
A vontade que eu tenho de tomar um café
Dos meus, daqueles me enchem a boca
Dum sabor inigualável
É neste momento,
A vontade de mascarar
A minha desilusão atroz,
De escrever tudo diferente do que sinto
É assim que me minto
Quando me socorro do improviso
Para te falar do que penso de ti.
Penso-te normal, igual, vulgar
Petulantemente vulgar.
É melhor ir tomando logo a bica
Não a deixar arrefecer
Se não ainda me vou arrepender
De te contar a verdade:
O meu café tem muito mais corpo
É mais intenso
Que a tua personalidade vazia.



Joaquim Marques

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Se todas as pessoas são boas
Se isso é uma verdade inquestionável
Porque é que nos desiludimos
Com o povinho ordinário
Que se julga ser melhor que os outros?
É a mania de ser diferente
Que estraga tudo o que de bom há na gente.
Ser simples e frontal
É ser amigo e sentir-se igual
Do mais reles ao mais importante
E não duvidar um só instante
Que o ser arrogante não é imortal.

Joaquim Marques

domingo, 23 de setembro de 2007

Sorri

Sorri
Não fujas de ti
Não te escondas delas
Das palavras escritas
E também das ditas
Não olhes pró lado
Orgulha-te de ti e do teu passado.
O futuro é já amanhã
E o dia de hoje daqui a nada já está terminado.
Sorri para ti nas palavras cantadas.

Joaquim Marques

sábado, 22 de setembro de 2007

Rasgarei as amarras
Deste porto de abrigo
No dia que me levares contigo
Tejo fora, rio adentro
A ouvir o chapinhar das águas
No casco da embarcação
Que escolherás para a primeira lição
De remador teu amigo.

Joaquim Marques

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Sete vezes três são vinte e um
Há três semanas que ando para te dizer isto:
Cansei-me de esperar
Vou-me embora
Para um dos vinte e um
Destinos que sonho
É a vontade que diferencia os Homens
É lá na terra dos iguais
Que vou dormir descansado.


Joaquim Marques

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Rosa Vermelha

Rosa vermelha,
Sim, somos da mesma centelha:
Somos coração partido
Experimentámos o amor sofrido.

Conheci a tua alma cigana
A sonhar o beijo doce
Com sabor a mel de cana;
Conheci-te
E adoptei-te minha mana.

Perguntarás aos anjos se saberão
As razões do coração,
O respeito que de mim emana
Quando te beijo com sabor a mel de cana,
Porque não o faço a outra flor
Que na vida encontro pelo caminho
Nesta personagem de passarinho
Que tu chamaste beija-flor.



Joaquim Marques