domingo, 22 de abril de 2007

Suspiros
Suspiros de fugida
Suspiros de saída
Das emoções mais recônditas
Que preocupam o sentimento
De quem pensa

Para além daquilo que queria


Joaquim Marques

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Há alturas
Em que me embebedo
Em pensamentos
Sucessivos e diferentes
E ricos de uma mística própria.
Então,
Quando dou por mim
Esboço um sorriso leve
E sinto-me solto e suspenso
Por entre forças diferentes
Que me suportam nesse momento.
Não sei fazer análises críticas
A estes curtos momentos.
Abandono-me a mim mesmo
E acontece a observação
Sobre o que de mim desconheço.
Gosto destes momentos raros
Em que me aprendo
Sem nunca encontrar a definição
Do meu ser a evoluir.



Joaquim Marques

quinta-feira, 19 de abril de 2007

( J.M. faz-me um poema! )


Retratos
Pacatos:
Plurais de situações abstractas
Quando invento e não penso
E não sou dono dos meus actos.
Faço-os pacatos
Como a cor do amendoim
E esqueço-os
De conteúdo
Que diga só respeito a mim.
São retratos
Vozes da caneta e do momento
E dos pedidos que assento
Nalguns lugares

Chatos.


Joaquim Marques

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Nunca mais
Escrevi poesia
Do que pensava e sentia
Nalguns momentos
Em certos dias.

Nunca mais
Fui a incógnita
Do meu pensar preocupado
Quando sonho acordado
As resoluções do meu querer.



Joaquim Marques

terça-feira, 17 de abril de 2007

São assim
Estes meus momentos
Nestes últimos dias:
Uma sequência ilógica
De situações preocupantes
Com sabor amargo–doce

De que ainda não aprendi a gostar.



Joaquim Marques

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Um café ruidoso
É uma forma agradável
De nos sentirmos nós
Numa mesa vazia e suspensa
Dum silêncio sempre igual.
Faz-se nestas alturas
Um jogo
De mestres da sedução pelo olhar
Atento e cativante
Mas discreto.
Há então, por vezes, pausas
De ruídos e conversas
E dos dois ao mesmo tempo
E os olhares cruzam-se em pensamento
E a nossa mesa vazia
Enche-se de muralhas da indiferença
Tão carregadas de ingenuidade
De quem quer dar nas vistas
Marginalizando-se aos olhares:
É a discrição que utiliza a indiferença
E rege as regras do jogo.
E este que é amoroso
Repete-se desde milénios
Sempre que a vontade de agradar
Regeu a discrição
E esta a indiferença
E tudo numa representação imaginária
De complicar o que é simples
Dando-lhe sabor.
Há destes momentos pacatos
Em cafés ruidosos.



Joaquim Marques

domingo, 15 de abril de 2007

Desilude-me o riso usado
Das situações forçadas
Que levam ao nada irreversível
Das emoções diferentes.
Não creio nas pessoas
Que pretendem o sentir
Diferente
Que se fixa na amargura do pensar.
Pensar é simples
E inocente
Por isso é que nunca é amargo

Quando acontece ao acaso.


Joaquim Marques

sábado, 14 de abril de 2007

Tenho medo
De não poder chorar
O meu funeral que se aproxima.

Tenho medo
Porque o vejo a cada esquina
E me apoquenta aquela ideia
Aquele sentir de dor:
A felicidade de ficar
Aqui, ali
E em qualquer lugar,
Morto e vivo
Sem medo de chorar
A dor que sinto
Na ideia que me persegue.

Joaquim Marques

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Entrai meninos entrai
Por este castelo adentro
Vinde ver
O ser menino
No seu trono pequenino

Às voltas com o pensamento.


Joaquim Marques

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Espero-te
Vestido de esperança
De sentir
O teu sentido singelo.




Joaquim Marques