Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

(foto: Alexandre Trindade Nieuwendam)

Mudou a hora
vou-me embora
mudo de noite, mas era de dia que o fazia
naquele rosto chora
a minha melancolia
por isso, no escuro, antes que chegue o dia
vou-me embora
ver nascer o dia
no lugar onde vivi, otrora.
Joaquim Marques
(Um abraço do tamanho do Mundo aos amigos leitores de todo o Mundo)
Volto em 2008

Domingo, 18 de Novembro de 2007

Poemas que faço
Poemas que desfaço
Com a face corada
Cor
Do vermelho que corre no sangue
Do coração que me falta
Quando coro a face e
Faço poemas desfeitos.

Poemas que faço
Que nascem com força d’aço
Que esmago com um traço
Todos os passos do
Laço que me aperta a garganta.
E desfaço o que faço
Sem saber fazer feitos que
Não fujam aquilo que sou e traço,
E penso e quero
E faço sem o vermelho da face
Que me funde no calor do poema.

Por isso te faço, poema.

Por isso poema que faço
Não receies
Que te não desfaço
Enquanto me apertar o laço na garganta
Sob a face vermelha de sangue
Que me dói em ti.



Joaquim Marques

Sábado, 17 de Novembro de 2007

Matei, mataste, morreu,
já está, já aconteceu,
fizemos a matança em parceria.
Hoje nasceu para nós um novo dia:
tu agora serás tu, e eu voltarei a ser eu.

Doutor, assine lá o documento
que o defunto já está a cheirar,
era pobre e indigente, não deixou testamento,
nada há a reclamar!

E assim enterrámos a convenção!
De agora em diante, viverei só na recordação
dos momentos felizes que o defunto em nós criou,
nesta nossa nova vida, distinta da que passou,
cuidarei de ti, como se deve cuidar de um irmão.

É esta a prece que faço ao Anjo Anauel:
Protege-me meu anjinho, neste meu novo caminho,
Sem mágoas, sem dor, amando só por amor, a minha irmã Raquel.

Cascais, 16 de Novembro de 2007
Joaquim Marques

Terça-feira, 13 de Novembro de 2007

De longe, hora a hora,
Impregnaste em mim a ternura
Luz da minha alma,
Mãe, Irmã e Mulher madura
Amor que a minha saudade acalma.

De hoje em diante anunciarei ao mundo
a Mulher Pérola, Diamante
Ágata em ouro incrustada
Sinfonia que ecoa
nas entranhas do meu eu mais profundo.

E assim do longe fizeste o perto
ao reflorestar o meu deserto.

Joaquim Marques

Bonito, muito bonito
Intenso, denso
O teu escrito
Na poeira que me cobria o peito
Leito agora da ilusão
Nas palavras rendidas à razão
Do teu jeito.
Vai menina, vai ao teu futuro
Que muitos amanhãs acontecerão
Até que a poeira me cubra de novo.

Joaquim Marques

Solidão
É viver apartado do mundo,
Onde momentos de beleza
Se enaltecem.
O real é um sonho
E o sonho preconiza-se realidade.

Mas não sei !
Não ... não quero saber o porquê !
E para quê?

De cabeça erguida,
Olhos bem abertos,
Em redor
tudo é nada !
mas .. o nada é belo,
é a felicidade,
o amor e o carinho.

Solidão, tu és nada !

És o albergue
Daqueles que sofrem
As angustias
De uma frustração.
És o paraíso
Onde se vive
Como se gosta de viver,
Onde todos os problemas tem solução,
E as partidas são sempre vencidas.

Oh obscuro pensamento !
Autentico balde de água fria.
Tens razão,
O real é a realidade!

Apetece-me chorar, rir
Brincar.
Mas com quem?
Os amigos não são amigos,
Em cada rosto
A expressão cínica
E interesseira
Da implacável sociedade.

Não, não posso aceitar o jugo.
Vou fugir,
Vou mergulhar e tornar a viver !
Oh solidão
Solidão imensa, amo-te !

Joaquim Marques
(1978)

Domingo, 11 de Novembro de 2007

Subversivo

Estou-me nas tintas para o que pensam da minha escrita os admiráveis seres iguais que se copiam uns aos outros com métrica sem métrica com alma esquelética rebuscados aperfeiçoados literariamente unos gramaticalmente puros com virgulas e acentos tónicos bem medidos nos temas bem escolhidos todos parecidos aos pasteis de Belém. Não quero nem saber do que acham deste texto feito a correr gramaticalmente incorrecto: é como um esboço já definido que se dá às crianças para pintarem e criarem a sua própria obra de arte dentro dos padrões estabelecidos. Por isso pinta-o tu: coloca-lhe as virgulas e os parágrafos onde quiseres faz deste texto o que entenderes imprime-o e limpa-lhe o Cu: ficará tal e qual a tua cara!
Joaquim Marques

Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

Fui um dia um viajante,
um navegador destemido,
errante, viajei para lá do além-mar distante,
para descobrir um amor fodido!

Hoje sou um caminheiro, cidadão do mundo,
palmilho os caminhos deste vale profundo
da mesma forma errante, mas convencido
que o sonho não era aquele amor, já esquecido.


Joaquim Marques

Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Só cozinho bem quando tenho fome,
só escrevo quando me apetece,
só publico o que me vai na alma,
a única obrigação que suporto,
é a de não ter obrigação nenhuma!

Mas ela diz que eu não sou assim,
que sou um doce de criatura,
que lá no fundo onde ela me vê,
sou meiguinho, gentil, um rapazinho...

Fia-te na Virgem e não corras...!

Joaquim Marques

Domingo, 4 de Novembro de 2007

Quantas vezes se me esgotam as palavras
no reservatório onde penso que as guardo
nos momentos de deslumbramento genuíno
perante a saga que foi essa batalha contra o destino.

Quantas vezes como a de agora
em que me socorro da nascente cálida
do meu lençol de fluidos subterrâneo
que se cruza com a chaminé de lava
do vulcão em constante erupção
neste profundo oceano de água fria
onde navego, solitário, dia após dia.

Que será de mim, pequeno pássaro azul,
aspirante a escriba de mim mesmo
sem as palavras que te quero deixar
como um afago, um cantar embevecido,
pela grandeza do teu ser no teu tempo sofrido.

Apelo à inspiração do fundo,
aquela que se revela quando quer,
que excepcionalmente nesta hora
me socorra, porque cá dentro dói e chora
um adulto com vontade de voltar a nascer,
ou se isso for pedir muito, deixar fluir os dias
e ao teu lado um dia morrer.

Joaquim Marques

Sábado, 3 de Novembro de 2007

Alimentar um blog é mais difícil que alimentar um burro a pão de ló.

Ausência!...
Se te dói a minha ausência,
justificada pela impaciência
da tua inexperiência,
a mim, dói-me a incoerência,
das linhas que solto sem a decência
de as sentir na minha essência:
como estas que lês agora, simples carência
de minimizar a minha ausência!
Paciência!...


Joaquim Marques