Quem sai de um buraco, sobe
até o poeta bêbado sabe disso
eu subi, subi, subi e não vou voltar a descer
e como gostei tanto da escalada, subindo
vou continuar a caminhada
talvez te encontre lá mais acima.
Só não entendo porque é que enterram os mortos
se o destino, pelo menos o meu, é o Céu
e é subindo que se lá chega...
Não queiras morrer comigo, ou por mim
dás-me a mão e vamos subindo
quando estivermos muito alto e muito frio
agarraste a mim e juntos construiremos uma cabana
uma coisa provisória, bio-degradável
afinal, o nosso destino é ir subindo, fica cá tudo...
Joaquim Marques AC
segunda-feira, 17 de março de 2014
Já houve quem se tenha perdido de mim
desconheço que alguém se tenha perdido por mim
mas, descubro aqui e além que alguém
diz ter medo de me perder
e como é que isso pode ser?
se eu não sou de ninguém
nem aqui nem mais além
se estou presente é porque não estou ausente.
Então, minha gente
devagar com o andor que o Santo é de barro!
Joaquim Marques AC
desconheço que alguém se tenha perdido por mim
mas, descubro aqui e além que alguém
diz ter medo de me perder
e como é que isso pode ser?
se eu não sou de ninguém
nem aqui nem mais além
se estou presente é porque não estou ausente.
Então, minha gente
devagar com o andor que o Santo é de barro!
Joaquim Marques AC
Caminhar por aí, a vida toda
conhecer mundos e gentes, tão iguais quanto diferentes
caminhar, caminhar, caminhar...
de quando em vez, a um novo porto aportar
ficar a olhar, sentir-me presente, igual àquela gente
e voltar a caminhar.
Ó gente da minha terra
ó povo que sois meu
ó forma de estar na vida abençoada por Deus
ó cantinho, por mais que eu trilhe caminho
a minha vontade é regressar
a essa Lusitânia perene
a esses contrafortes graníticos
à minha gente.
Portugal, não há no mundo país melhor, nem igual.
Joaquim Marques AC
conhecer mundos e gentes, tão iguais quanto diferentes
caminhar, caminhar, caminhar...
de quando em vez, a um novo porto aportar
ficar a olhar, sentir-me presente, igual àquela gente
e voltar a caminhar.
Ó gente da minha terra
ó povo que sois meu
ó forma de estar na vida abençoada por Deus
ó cantinho, por mais que eu trilhe caminho
a minha vontade é regressar
a essa Lusitânia perene
a esses contrafortes graníticos
à minha gente.
Portugal, não há no mundo país melhor, nem igual.
Joaquim Marques AC
terça-feira, 11 de março de 2014
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
O que há de mais interessante em mim
é eu não ter interesse nenhum
não acrescento nada, sou mais um
sou como aquelas jóias douradas, recheadas de brilhantes
que só reluzem em peitos ofegantes
das mulheres mundanas
que, despidas de maquilhagem, são o diabo
como eu sou quando te trago
palavra por palavra, nas ditas e nas escritas.
Joaquim Marques AC
é eu não ter interesse nenhum
não acrescento nada, sou mais um
sou como aquelas jóias douradas, recheadas de brilhantes
que só reluzem em peitos ofegantes
das mulheres mundanas
que, despidas de maquilhagem, são o diabo
como eu sou quando te trago
palavra por palavra, nas ditas e nas escritas.
Joaquim Marques AC
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Aqui estou sentado
sem sinto de segurança apertado
voando
divagando
ao sabor do pensar alado
mundo fora, noite dentro
brisa fresca em noite quente quando passas por mim
olho para trás e já lá não estás
olho para o lado e sinto-te em cuidado
se é amor, é um amor alado
e voamos lado a lado.
Joaquim Marques AC
sem sinto de segurança apertado
voando
divagando
ao sabor do pensar alado
mundo fora, noite dentro
brisa fresca em noite quente quando passas por mim
olho para trás e já lá não estás
olho para o lado e sinto-te em cuidado
se é amor, é um amor alado
e voamos lado a lado.
Joaquim Marques AC
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
É madrugada, bem madrugada, noite fechada, nada para fazer a não ser, esperar o Sol nascer. Para ocupar o tempo, fui ver a roupa que ontem lavei à mão, coisas de gavião, roupa lavada, pé na estrada e mulher prostrada...
Só se aprende fazendo, é o que diz no compêndio. E hoje eu aprendi como é fácil, simples e ligeiro, com pouco dinheiro, tingir de azul camisas brancas.
Vou abrir uma tinturaria.
Joaquim Marques AC
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Tudo o que eu quero é tudo o que eu quero.
Nada do que quero é nada do que quero.
Saber de tudo e nada, não quero
nem quero que, por tudo e por nada, saibas de mim
eu sou assim, quero e não quero e mudo de opinião quando quero.
Já quis e deixei de querer
vejam bem a minha estupidez, até já quis morrer
como é evidente, no instante seguinte, deixei de querer
mas, se tu queres muito que eu queira, quer-me à minha maneira.
Joaquim Marques AC
Nada do que quero é nada do que quero.
Saber de tudo e nada, não quero
nem quero que, por tudo e por nada, saibas de mim
eu sou assim, quero e não quero e mudo de opinião quando quero.
Já quis e deixei de querer
vejam bem a minha estupidez, até já quis morrer
como é evidente, no instante seguinte, deixei de querer
mas, se tu queres muito que eu queira, quer-me à minha maneira.
Joaquim Marques AC
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Entardecer
Pior que que a solidão de estar só
é a solidão de estar junto
viver a solidão em conjunto
vivendo a morte antes que a vida termine.
Coitados, morrem idosos em solidão
comenta o povo na sua razão
desconhecendo que a morte é um acto isolado
estar morto e acompanhado
acontece só em tragédias e execuções.
Fecho-me em casa
porque é aqui que te espero.
Amanhã é trinta de Janeiro
e eu, hoje, estou sem dinheiro
basta que passe mais um dia, só um
e será trinta e um
dias de silêncio na espera.
Não é um dia comum
alguém venha em meu auxílio
e me ajude a libertar da rima
quero vomitar no papel a falsa estima
e viver calmamente o anoitecer.
Não gosto de ler os outros
além de os não entender, tenho receio de com eles me parecer
não sou influenciável
sendo honesto, nem sempre sou agradável
e daí? é a forma que tenho de exprimir o meu engenho!
Não te conheço, Mari(?)a
mas é como se conhecesse
virá o tempo, ainda longínquo
que te terei ao meu colo
num simples abraço que me fará sair do ser solo
para depois poder morrer feliz.
Tirei um curso universitário
mas, tudo o que lá me ensinaram
foi ao contrário
do que queria, buscava e percebia
ser o meu caminho.
Conheci pessoas comuns que se fizeram colegas
conheci-os e desfiz-me em entregas
dádivas de amizade pura
tudo efémero como os dias
e desse tempo não sinto saudade
voltaria a fazer o mesmo? Não.
Sinto momentos felizes
quando me encontro comigo
e venho transcrever para o papel o que só a mim digo.
Se há momentos, longos, que me assola o silêncio
agora, neste instante, sinto-o ruidosamente radioso
é por te ter em pensamento
a todo o instante.
Faço o meu cigarro manual
há muito que penso o que diz o meu vício
mas só hoje desfruto do início
do futuro longínquo de te ver
ao meu lado entardecer.
Cresci naquelas estepes africanas
e isso influenciou a minha escrita
horizontes a perder de vista salpicados por arbustos isolados
é assim que rimo as estrofes do meu presente passado
que o presente futuro só existe para além do muro
não estando coxo, não me apetece galgar.
Os dias sucedem-se, uns a seguir aos outros
e neles todos, como o de hoje, aforrei muito dinheiro
sendo como sou um caminheiro
descobri que a melhor forma de poupar
é não gastar. Só não gasta quem não tem
e não tento, forçosamente poupa
veste a mesma roupa, não havendo conduto haverá sempre sopa.
Está tudo resolvido, entardece e tarda ter-te esquecido
porque será, tanto tempo volvido?
Não prestas!
Penso em ti
nos teus últimos movimentos
e não prestas.
És fútil e inconsistente
tive em ti uma irmã
como um íman
atraí o teu negativo ao meu pólo positivo.
Não queres perder um amigo?
Primeiro ganha-o, depois cuida-o
depois nunca lhe peças mais do que te pode dar
estou aqui, no mesmo lugar
mantenho-me igual, desde sempre
desde que me senti a pensar
desde os treze anos a sonhar
no que o Mundo de bom se podia tornar:
Namacurra, a saudade de viver em paz
em cima daquelas mangueiras
das mangas verdes comidas com sal
das vezes que ia ao quintal
apanhar um abacaxi, uma tangerina
ó África, não sendo, serás sempre minha
excepto a irmã que nunca foi
mas eu fiz sem poder
porque quem ama, ama sempre a perder
para mais tarde ganhar
tardes de entardecer
dias que vão ficar escuros
noites alumiadas pelo clarão da explosão
dos átomos soltos pela existência
a nossa vida é sobrevivência
a luta uma constância
e a dádiva, dada de graça, a relevância.
Tenho um bico do fogão aceso
tenho receio de ficar obeso
mas não fico, mesmo que queira
pensar e escrever tanta asneira
é o que me faz falta nestes dias
tardes que tardam sempre tardias
noites que anoitecem devagar
insónias que me tolhem o discernimento
já é noite e penso em ti a todo o momento
penso-te noutro lugar
onde o mar vem e vai com a maré
e se tudo é cíclico, tudo será o que hoje já é
o ciclo do Universo, movimentos de rotação
de translação
só o destino dos vivos é ir de caixão.
Se me deixarem viver mil anos
a morte não desejo, viajar é o meu ensejo
Até Marte
saberei encontrar-te lá, talvez em parte
outra parte de ti mora longe, noutra galáxia.
A noite vai ser fria
a memória do teu amor não me aquece o coração.
Joaquim Marques AC
é a solidão de estar junto
viver a solidão em conjunto
vivendo a morte antes que a vida termine.
Coitados, morrem idosos em solidão
comenta o povo na sua razão
desconhecendo que a morte é um acto isolado
estar morto e acompanhado
acontece só em tragédias e execuções.
Fecho-me em casa
porque é aqui que te espero.
Amanhã é trinta de Janeiro
e eu, hoje, estou sem dinheiro
basta que passe mais um dia, só um
e será trinta e um
dias de silêncio na espera.
Não é um dia comum
alguém venha em meu auxílio
e me ajude a libertar da rima
quero vomitar no papel a falsa estima
e viver calmamente o anoitecer.
Não gosto de ler os outros
além de os não entender, tenho receio de com eles me parecer
não sou influenciável
sendo honesto, nem sempre sou agradável
e daí? é a forma que tenho de exprimir o meu engenho!
Não te conheço, Mari(?)a
mas é como se conhecesse
virá o tempo, ainda longínquo
que te terei ao meu colo
num simples abraço que me fará sair do ser solo
para depois poder morrer feliz.
Tirei um curso universitário
mas, tudo o que lá me ensinaram
foi ao contrário
do que queria, buscava e percebia
ser o meu caminho.
Conheci pessoas comuns que se fizeram colegas
conheci-os e desfiz-me em entregas
dádivas de amizade pura
tudo efémero como os dias
e desse tempo não sinto saudade
voltaria a fazer o mesmo? Não.
Sinto momentos felizes
quando me encontro comigo
e venho transcrever para o papel o que só a mim digo.
Se há momentos, longos, que me assola o silêncio
agora, neste instante, sinto-o ruidosamente radioso
é por te ter em pensamento
a todo o instante.
Faço o meu cigarro manual
há muito que penso o que diz o meu vício
mas só hoje desfruto do início
do futuro longínquo de te ver
ao meu lado entardecer.
Cresci naquelas estepes africanas
e isso influenciou a minha escrita
horizontes a perder de vista salpicados por arbustos isolados
é assim que rimo as estrofes do meu presente passado
que o presente futuro só existe para além do muro
não estando coxo, não me apetece galgar.
Os dias sucedem-se, uns a seguir aos outros
e neles todos, como o de hoje, aforrei muito dinheiro
sendo como sou um caminheiro
descobri que a melhor forma de poupar
é não gastar. Só não gasta quem não tem
e não tento, forçosamente poupa
veste a mesma roupa, não havendo conduto haverá sempre sopa.
Está tudo resolvido, entardece e tarda ter-te esquecido
porque será, tanto tempo volvido?
Não prestas!
Penso em ti
nos teus últimos movimentos
e não prestas.
És fútil e inconsistente
tive em ti uma irmã
como um íman
atraí o teu negativo ao meu pólo positivo.
Não queres perder um amigo?
Primeiro ganha-o, depois cuida-o
depois nunca lhe peças mais do que te pode dar
estou aqui, no mesmo lugar
mantenho-me igual, desde sempre
desde que me senti a pensar
desde os treze anos a sonhar
no que o Mundo de bom se podia tornar:
Namacurra, a saudade de viver em paz
em cima daquelas mangueiras
das mangas verdes comidas com sal
das vezes que ia ao quintal
apanhar um abacaxi, uma tangerina
ó África, não sendo, serás sempre minha
excepto a irmã que nunca foi
mas eu fiz sem poder
porque quem ama, ama sempre a perder
para mais tarde ganhar
tardes de entardecer
dias que vão ficar escuros
noites alumiadas pelo clarão da explosão
dos átomos soltos pela existência
a nossa vida é sobrevivência
a luta uma constância
e a dádiva, dada de graça, a relevância.
Tenho um bico do fogão aceso
tenho receio de ficar obeso
mas não fico, mesmo que queira
pensar e escrever tanta asneira
é o que me faz falta nestes dias
tardes que tardam sempre tardias
noites que anoitecem devagar
insónias que me tolhem o discernimento
já é noite e penso em ti a todo o momento
penso-te noutro lugar
onde o mar vem e vai com a maré
e se tudo é cíclico, tudo será o que hoje já é
o ciclo do Universo, movimentos de rotação
de translação
só o destino dos vivos é ir de caixão.
Se me deixarem viver mil anos
a morte não desejo, viajar é o meu ensejo
Até Marte
saberei encontrar-te lá, talvez em parte
outra parte de ti mora longe, noutra galáxia.
A noite vai ser fria
a memória do teu amor não me aquece o coração.
Joaquim Marques AC
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