terça-feira, 11 de março de 2014

Se de pequenino é que se torce o pepino
felizmente que não torceram o meu
imagina... eu torto!
ou pior, enroscado
atrapalhado
desapertado
ou moído...
Caminho pelo Mundo, solto
livre, até de mim...

Joaquim Marques AC



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O que há de mais interessante em mim
é eu não ter interesse nenhum
não acrescento nada, sou mais um
sou como aquelas jóias douradas, recheadas de brilhantes
que só reluzem em peitos ofegantes
das mulheres mundanas
que, despidas de maquilhagem, são o diabo
como eu sou quando te trago
palavra por palavra, nas ditas e nas escritas.

Joaquim Marques AC


Odeio-vos
e vós gostais tanto de mim
insectos alados
ó coisa ruim!

Joaquim Marques AC

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Aqui estou sentado
sem sinto de segurança apertado
voando
divagando
ao sabor do pensar alado
mundo fora, noite dentro
brisa fresca em noite quente quando passas por mim
olho para trás e já lá não estás
olho para o lado e sinto-te em cuidado
se é amor, é um amor alado
e voamos lado a lado.

Joaquim Marques AC

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014


É madrugada, bem madrugada, noite fechada, nada para fazer a não ser, esperar o Sol nascer. Para ocupar o tempo, fui ver a roupa que ontem lavei à mão, coisas de gavião, roupa lavada, pé na estrada e mulher prostrada... 
Só se aprende fazendo, é o que diz no compêndio. E hoje eu aprendi como é fácil, simples e ligeiro, com pouco dinheiro, tingir de azul camisas brancas.
Vou abrir uma tinturaria.

Joaquim Marques AC

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Tudo o que eu quero é tudo o que eu quero.
Nada do que quero é nada do que quero.
Saber de tudo e nada, não quero
nem quero que, por tudo e por nada, saibas de mim
eu sou assim, quero e não quero e mudo de opinião quando quero.
Já quis e deixei de querer
vejam bem a minha estupidez, até já quis morrer
como é evidente, no instante seguinte, deixei de querer
mas, se tu queres muito que eu queira, quer-me à minha maneira.

Joaquim Marques AC

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Entardecer

Pior que que a solidão de estar só
é a solidão de estar junto
viver a solidão em conjunto
vivendo a morte antes que a vida termine.
Coitados, morrem idosos em solidão
comenta o povo na sua razão
desconhecendo que a morte é um acto isolado
estar morto e acompanhado
acontece só em tragédias e execuções.

Fecho-me em casa
porque é aqui que te espero.
Amanhã é trinta de Janeiro
e eu, hoje, estou sem dinheiro
basta que passe mais um dia, só um
e será trinta e um
dias de silêncio na espera.

Não é um dia comum
alguém venha em meu auxílio
e me ajude a libertar da rima
quero vomitar no papel a falsa estima
e viver calmamente o anoitecer.

Não gosto de ler os outros
além de os não entender, tenho receio de com eles me parecer
não sou influenciável
sendo honesto, nem sempre sou agradável
e daí? é a forma que tenho de exprimir o meu engenho!

Não te conheço, Mari(?)a
mas é como se conhecesse
virá o tempo, ainda longínquo
que te terei ao meu colo
num simples abraço que me fará sair do ser solo
para depois poder morrer feliz.

Tirei um curso universitário
mas, tudo o que lá me ensinaram
foi ao contrário
do que queria, buscava e percebia
ser o meu caminho.
Conheci pessoas comuns que se fizeram colegas
conheci-os e desfiz-me em entregas
dádivas de amizade pura
tudo efémero como os dias
e desse tempo não sinto saudade
voltaria a fazer o mesmo? Não.

Sinto momentos felizes
quando me encontro comigo
 e venho transcrever para o papel o que só a mim digo.
Se há momentos, longos, que me assola o silêncio
agora, neste instante, sinto-o ruidosamente radioso
é por te ter em pensamento
a todo o instante.
Faço o meu cigarro manual
há muito que penso o que diz o meu vício
mas só hoje desfruto do início
do futuro longínquo de te ver
ao meu lado entardecer.

Cresci naquelas estepes africanas
e isso influenciou a minha escrita
horizontes a perder de vista salpicados por arbustos isolados
é assim que rimo as estrofes do meu presente passado
que o presente futuro só existe para além do muro
não estando coxo, não me apetece galgar.
Os dias sucedem-se, uns a seguir aos outros
e neles todos, como o de hoje, aforrei muito dinheiro
sendo como sou um caminheiro
descobri que a melhor forma de poupar
é não gastar. Só não gasta quem não tem
e não tento, forçosamente poupa
veste a mesma roupa, não havendo conduto haverá sempre sopa.
Está tudo resolvido, entardece e tarda ter-te esquecido
porque será, tanto tempo volvido?

Não prestas!
Penso em ti
nos teus últimos movimentos
e não prestas.
És fútil e inconsistente
tive em ti uma irmã
como um íman
atraí o teu negativo ao meu pólo positivo.
Não queres perder um amigo?
Primeiro ganha-o, depois cuida-o
depois nunca lhe peças mais do que te pode dar
estou aqui, no mesmo lugar
mantenho-me igual, desde sempre
desde que me senti a pensar
desde os treze anos a sonhar
no que o Mundo de bom se podia tornar:
Namacurra, a saudade de viver em paz
em cima daquelas mangueiras
das mangas verdes comidas com sal
das vezes que ia ao quintal
apanhar um abacaxi, uma tangerina
ó África, não sendo, serás sempre minha
excepto a irmã que nunca foi
mas eu fiz sem poder
porque quem ama, ama sempre a perder
para mais tarde ganhar
tardes de entardecer
dias que vão ficar escuros
noites alumiadas pelo clarão da explosão
dos átomos soltos pela existência
a nossa vida é sobrevivência
a luta uma constância
e a dádiva, dada de graça, a relevância.

Tenho um bico do fogão aceso
tenho receio de ficar obeso
mas não fico, mesmo que queira
pensar e escrever tanta asneira
é o que me faz falta nestes dias
tardes que tardam sempre tardias
noites que anoitecem devagar
insónias que me tolhem o discernimento
já é noite e penso em ti a todo o momento
penso-te noutro lugar
onde o mar vem e vai com a maré
e se tudo é cíclico, tudo será o que hoje já é
o ciclo do Universo, movimentos de rotação
de translação
só o destino dos vivos é ir de caixão.
Se me deixarem viver mil anos
a  morte não desejo, viajar é o meu ensejo
Até Marte
saberei encontrar-te lá, talvez em parte
outra parte de ti mora longe, noutra galáxia.
A noite vai ser fria
a memória do teu amor não me aquece o coração.

Joaquim Marques AC

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Descomprometido

Hoje sou o que penso que quero ser
amanhã serei o que nem sei
é sendo quem sou no presente que sou dum futuro ausente
sem planos, sem muitas preocupações da mente
hoje sou mais que um amigo
e muito menos que outra coisa qualquer.

Joaquim Marques AC

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Um dia vou a Guimarães ver-te em Braga por um canudo
vou ao Minho descobrir o teu ninho
vou beber-te fresca como o verde vinho
de longe, sem desalinho
discreto, como o teu smartphone mudo.

 Joaquim Maruqes AC

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O carinho e a admiração que te devoto
não se limita à existência actual
o ser humano, infelizmente, é mortal
ainda assim, se me fosse permitido voltar a nascer
e nessa premissa, me fosse permitido escolher
quereria muito ser teu filho.

Joaquim Marques AC