sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014


É madrugada, bem madrugada, noite fechada, nada para fazer a não ser, esperar o Sol nascer. Para ocupar o tempo, fui ver a roupa que ontem lavei à mão, coisas de gavião, roupa lavada, pé na estrada e mulher prostrada... 
Só se aprende fazendo, é o que diz no compêndio. E hoje eu aprendi como é fácil, simples e ligeiro, com pouco dinheiro, tingir de azul camisas brancas.
Vou abrir uma tinturaria.

Joaquim Marques AC

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Tudo o que eu quero é tudo o que eu quero.
Nada do que quero é nada do que quero.
Saber de tudo e nada, não quero
nem quero que, por tudo e por nada, saibas de mim
eu sou assim, quero e não quero e mudo de opinião quando quero.
Já quis e deixei de querer
vejam bem a minha estupidez, até já quis morrer
como é evidente, no instante seguinte, deixei de querer
mas, se tu queres muito que eu queira, quer-me à minha maneira.

Joaquim Marques AC

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Entardecer

Pior que que a solidão de estar só
é a solidão de estar junto
viver a solidão em conjunto
vivendo a morte antes que a vida termine.
Coitados, morrem idosos em solidão
comenta o povo na sua razão
desconhecendo que a morte é um acto isolado
estar morto e acompanhado
acontece só em tragédias e execuções.

Fecho-me em casa
porque é aqui que te espero.
Amanhã é trinta de Janeiro
e eu, hoje, estou sem dinheiro
basta que passe mais um dia, só um
e será trinta e um
dias de silêncio na espera.

Não é um dia comum
alguém venha em meu auxílio
e me ajude a libertar da rima
quero vomitar no papel a falsa estima
e viver calmamente o anoitecer.

Não gosto de ler os outros
além de os não entender, tenho receio de com eles me parecer
não sou influenciável
sendo honesto, nem sempre sou agradável
e daí? é a forma que tenho de exprimir o meu engenho!

Não te conheço, Mari(?)a
mas é como se conhecesse
virá o tempo, ainda longínquo
que te terei ao meu colo
num simples abraço que me fará sair do ser solo
para depois poder morrer feliz.

Tirei um curso universitário
mas, tudo o que lá me ensinaram
foi ao contrário
do que queria, buscava e percebia
ser o meu caminho.
Conheci pessoas comuns que se fizeram colegas
conheci-os e desfiz-me em entregas
dádivas de amizade pura
tudo efémero como os dias
e desse tempo não sinto saudade
voltaria a fazer o mesmo? Não.

Sinto momentos felizes
quando me encontro comigo
 e venho transcrever para o papel o que só a mim digo.
Se há momentos, longos, que me assola o silêncio
agora, neste instante, sinto-o ruidosamente radioso
é por te ter em pensamento
a todo o instante.
Faço o meu cigarro manual
há muito que penso o que diz o meu vício
mas só hoje desfruto do início
do futuro longínquo de te ver
ao meu lado entardecer.

Cresci naquelas estepes africanas
e isso influenciou a minha escrita
horizontes a perder de vista salpicados por arbustos isolados
é assim que rimo as estrofes do meu presente passado
que o presente futuro só existe para além do muro
não estando coxo, não me apetece galgar.
Os dias sucedem-se, uns a seguir aos outros
e neles todos, como o de hoje, aforrei muito dinheiro
sendo como sou um caminheiro
descobri que a melhor forma de poupar
é não gastar. Só não gasta quem não tem
e não tento, forçosamente poupa
veste a mesma roupa, não havendo conduto haverá sempre sopa.
Está tudo resolvido, entardece e tarda ter-te esquecido
porque será, tanto tempo volvido?

Não prestas!
Penso em ti
nos teus últimos movimentos
e não prestas.
És fútil e inconsistente
tive em ti uma irmã
como um íman
atraí o teu negativo ao meu pólo positivo.
Não queres perder um amigo?
Primeiro ganha-o, depois cuida-o
depois nunca lhe peças mais do que te pode dar
estou aqui, no mesmo lugar
mantenho-me igual, desde sempre
desde que me senti a pensar
desde os treze anos a sonhar
no que o Mundo de bom se podia tornar:
Namacurra, a saudade de viver em paz
em cima daquelas mangueiras
das mangas verdes comidas com sal
das vezes que ia ao quintal
apanhar um abacaxi, uma tangerina
ó África, não sendo, serás sempre minha
excepto a irmã que nunca foi
mas eu fiz sem poder
porque quem ama, ama sempre a perder
para mais tarde ganhar
tardes de entardecer
dias que vão ficar escuros
noites alumiadas pelo clarão da explosão
dos átomos soltos pela existência
a nossa vida é sobrevivência
a luta uma constância
e a dádiva, dada de graça, a relevância.

Tenho um bico do fogão aceso
tenho receio de ficar obeso
mas não fico, mesmo que queira
pensar e escrever tanta asneira
é o que me faz falta nestes dias
tardes que tardam sempre tardias
noites que anoitecem devagar
insónias que me tolhem o discernimento
já é noite e penso em ti a todo o momento
penso-te noutro lugar
onde o mar vem e vai com a maré
e se tudo é cíclico, tudo será o que hoje já é
o ciclo do Universo, movimentos de rotação
de translação
só o destino dos vivos é ir de caixão.
Se me deixarem viver mil anos
a  morte não desejo, viajar é o meu ensejo
Até Marte
saberei encontrar-te lá, talvez em parte
outra parte de ti mora longe, noutra galáxia.
A noite vai ser fria
a memória do teu amor não me aquece o coração.

Joaquim Marques AC

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Descomprometido

Hoje sou o que penso que quero ser
amanhã serei o que nem sei
é sendo quem sou no presente que sou dum futuro ausente
sem planos, sem muitas preocupações da mente
hoje sou mais que um amigo
e muito menos que outra coisa qualquer.

Joaquim Marques AC

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Um dia vou a Guimarães ver-te em Braga por um canudo
vou ao Minho descobrir o teu ninho
vou beber-te fresca como o verde vinho
de longe, sem desalinho
discreto, como o teu smartphone mudo.

 Joaquim Maruqes AC

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O carinho e a admiração que te devoto
não se limita à existência actual
o ser humano, infelizmente, é mortal
ainda assim, se me fosse permitido voltar a nascer
e nessa premissa, me fosse permitido escolher
quereria muito ser teu filho.

Joaquim Marques AC

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Já sei que nunca irei ter aquilo que almejei.
Já sei que sendo quem sou, só serei aquilo que sempre fui.
Não sei se serei escutado no silêncio acumulado
Deste degredo, como se fosse o meu fado
De estar só e só comigo acompanhado.

Como se reproduz em palavras o silêncio?
Não se reproduz, não se transmite e ainda bem!
Não vos quero inquietar, isso seria muito inquietante
Deus, acredito, existe em cada um de nós
E eu, não sei se vós, acredito em mim
Logo, acredito no Pai Natal, no Pai do Natal.
Muito vos agradeço os votos natalícios
Eu e o outro que mora nas minhas costas, do outro lado
Somos nós, eu e o meu contrário, que hoje vamos fritar rabanadas
E vamos comê-las, todas!

Quando eu sair do degredo não me ofereças rabanadas
Oferece-me palavras desgarradas, sem sentido
O que eu quero mesmo é ter-te a sussurrar ao ouvido
Só assim me curo do mal do silêncio.
Se a outra parte de mim fosses tu, dava-te uma cotovelada
Depois sorria ao ver-te espantada...
Meu amor, não sei quem és, mas sei que existes
Serás sempre, no meu imaginário, a mãe do natal no futuro.
Ainda bem que inventaram o futuro
É para lá que eu vou, em silêncio, mas vou!
Estou indo!


Joaquim Marques AC


domingo, 22 de dezembro de 2013

Não sei por onde andas, nem razão encontro para permanecer aqui
Ir para casa é o meu destino, ao teu encontro o meu ensejo
Nada me ocorre que explique este desejo
Inquieto, a pulsar aqui me quedo à espera dum sinal vindo daí.

Joaquim Marques AC

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Índia, Selvagem e Única

Vozes ecoam dentro de mim para serem escutadas no Céu
são súplicas de quem necessita, muito, da protecção do teu véu
Avé Maria, Avé Maria, Avé Maria
estás agora na companhia da Senhora
mas era aqui que eu te queria
Avé Maria, Avé Maria, Avé Maria

Joaquim Marques AC

terça-feira, 26 de novembro de 2013

ROSA VERMELHA e PASSARINHO BEIJA-FLOR

Dueto


Sim!... É “pura ficção”:
Tu és o meu beija-flor!
Sou tua rosa vermelha!
Porém, diz meu coração,
que na essência do amor,
somos da mesma centelha!...
E ai de mim, se não fosse
a minha alma cigana...
a sonhar o beijo doce
com sabor do mel da cana!


Rosa Vermelha,
Sim, somos da mesma centelha:
Somos coração partido
Experimentámos o amor sofrido.
Conheci a tua alma cigana
A sonhar o beijo doce
Com sabor a mel de cana;
Conheci-te
E adoptei-me minha mana.
Perguntarás aos anjos se saberão
As razões do coração,
O respeito que de mim emana
Quando te beijo com sabor a mel de cana,
Porque não o faço a outra flor
Que na vida encontro pelo caminho
Nesta personagem de passarinho
Que tu chamaste beija-flor.


Cativante beija-flor!...
O coração tem razões
que a razão desconhece.
Estou bebendo o licor
de fraternas efusões...
e em “meu sonhar”, floresce
a flor da pura amizade...
que às vezes, muda de cor:
é quando sente saudade!
Poeta-Irmão d’além mar!...
Tua manifestação
de respeitoso carinho,
a minha alma, engalana!...
E como é bom, registrar:
Agora, em meu coração,
tens um vitalício ninho!...
É doce ser tua mana!
De mão dada pelo caminho
Mata fechada, campo aberto
Mesmo em pleno deserto
Contigo minha flor
Cantarei como um passarinho
Cânticos de alegria sem dor
Porque agora tenho um vitalício ninho
Protegido por rosáceas telhas
Feito de pétalas vermelhas
Das tuas pétalas minha flor
Desfolhadas suavemente
Quando te beijo respeitosamente
Como beija um beija-flor.

Dilma Damasceno e Joaquim Marques