quinta-feira, 3 de abril de 2008

Recado

Você não acredita em mim? Duvida da verdade que lhe contei? Duvida da prova material que lhe apresentei? Então porque é que tem medo? É receio ou impreparação? Se não gosta da sua profissão, vá embora!
Deixe-me a mim e à minha razão: a força que tenho vem da força da palavra, dos actos, da indignação, da verdade límpida, do meu trajecto nobre, do meu percurso erecto sem submissão, não me vergo perante a injustiça, só sucumbo à ideia do incumprimento da obrigação a que a palavra me vincula.
Vá embora, ou fique quieta aqui de lado. Vai assistir à narrativa de quem não tem medo e se orgulha do seu passado.
Joaquim Cruz

Livro III Poema 18

É a revolta que eu sinto
É a amargura pela desventura
É a vez de estar à altura
Da sorte verdadeira porque não minto.

É a lágrima que se forma no canto do olho
É a emoção contida, reprimida
Pela altivez da verdade
Que me acompanha de longe
É a vida de quem sabe que só conta consigo.

É revolta e determinação
É ânimo e compaixão
É ter-te perto do meu coração
É sentir a vida em solidão.

E só, rodeado de mim
Não deixarei até ao fim
Que me manchem a reputação.
Ai como preciso de quem me dê a mão!

Joaquim Marques

domingo, 30 de março de 2008

Insónia

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Joaquim Marques

domingo, 23 de março de 2008

Caricatura

- Neste solo que eu amo,
neste povo que eu piso
o que é que eu sou?
o que é que eu sou?

- Sois Rei! Sois Rei!

Jô Soares

Livro III Poema 17

Faz-se silêncio
no meu pensar barulhento
quando te imagino
sorrindo
no dia do teu regresso.

Joaquim Marques

terça-feira, 18 de março de 2008

Livro III Poema 16

Quebrou-se o elo
foi-se a corrente pela corrente abaixo
deixa-o ficar, deixa-te ir, deixa-a partir
tudo o que se divide fica mais pequeno
menos a liberdade que o elo teimava em aprisionar.
Vai em paz amiga,
descansa de mim
que outras águas mais calmas farão do elo
uma cicatriz indelével
como a tua imagem que se esfuma na minha memória.

Joaquim Marques

sábado, 15 de março de 2008

Para ti

Em relação a ti
Digo, digo-te assim:
Não só te acho bicho ruim
Como também bicho do mato
Eu só vejo em ti um rato
Pretensiosa, estrela do anonimato!

Joaquim Marques

terça-feira, 11 de março de 2008

Livro III Poema 15

Tenho tido tudo
Contudo
Tudo foi tido e já não tenho
E para voltar a ter tudo o que tenho tido
Liberto-me do ter tido e sonho com tudo
Porque afinal nem tudo tenho tido.

Joaquim Marques

segunda-feira, 10 de março de 2008

Livro III Poema 14

Sou
Seu
Sem
Ser.
Sou, sendo, sem ser seu.


Joaquim Marques

domingo, 9 de março de 2008

Livro III Poema 13

Resisto
Insisto
“Meu é aquilo que não é de mais ninguém”
nem teu
e hoje nem meu quero que seja
nem teu
nem de mais ninguém
andei perdido no além
sou prisioneiro da minha liberdade
mas insisto e resisto
porque acredito
que lá de longe o destino virá morar aqui comigo.

Joaquim Marques