quinta-feira, 10 de maio de 2007

Risco o branco
Com um desalmado sorrir
Na penumbra transparente
Do meu egoísmo legítimo.
E do branco ao cinzento
E do que eu penso e quero
E não podendo sou,
Sorrio o remorso
Que se me apodera.
Então
Pinto do cinzento ao branco
A personalidade
No sorriso riscado.


Joaquim Marques

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Sente-te
Sentando o repouso em ti
Alcançando de pasmo e dor
Sentido de feliz merecido.

Sente-te
Sentado naquela ideia
Perdida quando sentido
Sentando o pasmo de dor
Terminado estava
O sentido alcançado.


Joaquim Marques

terça-feira, 8 de maio de 2007

Não gostar de poesia
É não gostar de ser
Quando se imagina
A realidade
Do acto de viver.


Joaquim Marques

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Há dias em que faço
Poesia
Há dias como este
Em que faço coisas como esta.
Quero dizer que só
Faço poesia
Em dias como este.
E eu faço poesia
Porque há dias em que não faço nada.
E fazer poesia é
Não fazer nada
Quando não há nada para fazer
E dias como este
Em que faço poesia.

Joaquim Marques

domingo, 6 de maio de 2007

Sinto no ar
Esvoaçando
Palavras soltas de esperança,
Sílabas caídas de um dicionário
- Augúrios de novos dias
Que embatem no meu ser.

Amigo do meu ser,
Ser do meu amigo malfadado
Ouço em nós
A voz da palavra que inventei
No silêncio que não descuro
O significado desejado.

Anunciai ao cosmos
Que eu não tenho
O ter de quem não possuiu – Sou
O simples eu albarroado...
Pelo pensamento traiçoeiro.
Sinto nas vozes e nas palavras
a arte única de fugir
À esperança que não quero
Destes dias que revivi.

É a vós que eu canto,
A vós palavras, sons e vozes
Do amanhã, porque vos
Sinto em mim
No significado da esperança que desejo.


Joaquim Marques

sábado, 5 de maio de 2007

Deste-me um ramo de flores,
Um dia ofereceram-me uma rosa,
Hoje deste-me túlipas
Brancas e amarelas
E eu retribuí com um sorriso
Meu
Genuíno
Singular
Que ao contrário das flores
Não vai murchar
A não ser que te esqueças de o regar!

Joaquim Marques

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Lá fora chove
O tempo está húmido
O meu vizinho insiste
Em acender o carvão
E eu estou a ver com atenção
A quantidade de gás
Que ele está a gastar
Para contrariar
Tanta humidade.

Agora de guarda-chuva na mão
Tapou com jornais
Todo o carvão.
Iniciou a labareda,
Mas é pura ilusão
A humidade não vai deixar
Que o braseiro se faça
E ele irá desistir
De cozinhar a sua caça.

Ó tempo húmido porque te intrometes
Na vontade das pessoas?
Porque não lhes dás a provar
O encanto de cozinhar
Dentro de casa?

E eu aqui a observar
Aquilo que não devo,
Até parece que não tenho mais nada que fazer
Do que falar ao tempo
E meter-me na vida dos outros!

Joaquim Marques

quinta-feira, 3 de maio de 2007

O ser humano
Nem sempre é humano
Porque na Humanidade
Há seres como tu
Sem humildade.

Que o Ser lá de cima
Me ajude a conservar a liberdade
De discernir
Entre a paz e o destino
Da guerra que tenho que travar
E com humildade encontrar
Outro ser humano
Por detrás da tua arrogância.

Porque nada,
Mesmo nada
É mais forte que a minha vontade
De te tratar com humanidade
E assim fazer crescer em ti
A humildade.


Joaquim Marques

quarta-feira, 2 de maio de 2007

BUSTO

Foste a figura triste, amedrontada,
A expressão sempre requintada
Do espírito que demonstras.
Dos teus lábios o sorriso que encanta
O túmulo desta vida
Querida, malfadada,
No fogo que te atearam.

Vejo-me em ti –
Teu semblante, meu pensamento
Que ao longe sorri
Um dia futuro – companheiro.
Espera por mim
E conserva em ti aquilo que sou
Na morte que não posso ser
A fuga ao teu sorriso de estátua.


Joaquim Marques

terça-feira, 1 de maio de 2007

Jantei sozinho
Num restaurante da cidade adormecida
E julguei-me acompanhado
De um amigo
E senti-me bem
Imaginando
O quanto seria melhor
Se ele jantasse mesmo comigo.
Não gosto de jantar sozinho
Acompanhado de mim
E dos meus pensamentos.


Joaquim Marques