quarta-feira, 11 de abril de 2007

Converso tanto contigo
Maria
Quando estou calado.
Desabafo tanto contigo
Maria
Quando em pensamento estou ao teu lado.
Vem visitar-me um dia
Maria
Vem ver-me aqui sentado
Roído, amargurado.

Dá-me a tua mão
Maria
Leva-me daqui para fora
Leva-me para onde mora
A serenidade do teu coração.

Será que tu me ouves
Maria,
Será que sentes este chamado?
Preciso tanto de falar contigo
Maria
Sem ter que estar calado.

Joaquim Marques

terça-feira, 10 de abril de 2007

Na atitude que nos une
No pensar que nos funde
Na força da ternura
Da tua presença singela
Conheci-me em ti

E adoptei-te minha irmã


Joaquim Marques

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Prostituta

Passeando a vida
Negra recortada
Canto a chorar
As pedras da calçada.

Oh! Mulher vítima
Foge da minha alçada
Corre-te a vida íntima
Pelas pedras da calçada.

Passeando, parei, correndo
Os calos da vida acabada
Da tua vida Mulher vivendo
Sobre as pedras da calçada.

Canto, fujo e quero
Ver-te na vida começada
A tua vida diferente
Sobre as pedras da calçada.

Canto a Mulher vida,
Negra recortada
Nesta dor sentida

Sobre as pedras da calçada.


Joaquim Marques

domingo, 8 de abril de 2007

Sorrio de mim mesmo,
Dos sentimentos que desconheço
E são o que aconteço
Nos momentos mais seguros.
Que sorriso o meu,
Que sentimentos aqueles,
Que força aquela, de fazer
O que faço acontecer
Em mim próprio!
Leve paz me abraça
Neste sorriso da ignorância
Que sou,
Nos meus pensamentos,
Naqueles momentos seguros.
Que paz,
Que sorriso alegre demonstro
Nestas palavras de sentido inseguro,
Próprias do pensamento seguro
Do que faço, quando assim aconteço.
Poucas vezes sorrio assim,
De mim mesmo,
Daquilo que sou quando me aprendo

Nestes sentimentos de amor.


Joaquim Marques

sábado, 7 de abril de 2007

No teu olhar atento
Conservo a minha expectativa
Nesta noite ao relento
À espera da tua iniciativa.

E ao analisar
Esse teu olhar distante
Preocupa-me a todo o instante
O modo fácil de o cativar.

Agora que o cativei
Derreteu-se todo o gelo
Da expectativa
E já pensei

Facilmente como esquecê-lo.


Joaquim Marques

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Olá!

Bom dia de Quinta-feira Santa para os que professam a fé Cristã. Para os outros, bom dia de Quinta-feira Santa.

Toda esta conversa para vos dizer que hoje não me apetece publicar nenhum poema.

Têm aqui muito que ler. Muitos comentários novos em poemas antigos para "cuscar".

Divirtam-se! Ou, então, voltem mais tarde.



Joaquim Marques

quarta-feira, 4 de abril de 2007

ANIVERSÁRIO

Só , realmente Só.
Dormente vazio
De espaços preenchidos pelos fugazes estalidos
Dum fogo preso ao coração que arde
E roda, sempre a girar,
Ora silencioso, ora bravio
Num espectáculo anunciado
Todos os anos esperado
Que irá terminar esfumando-se como uma bruma
E continuará só
Acompanhado de si e do pensamento
Sem se preocupar com o tormento

De estar só no meio de tantas atenções.


Joaquim Marques

terça-feira, 3 de abril de 2007

Em dias como este,
nocturnas passagens pela Terra...
como ia dizendo...
(desculpe, mas já não sei o que ia a dizer)

Pensando bem,
e eu que digo que não gosto
de pensar bem
quando mal penso no
acto de pensar.
Pensando bem,
(agora estou a ser vulgar)
Pensando bem,
para deixar de ser vulgar
vou ter que estudar
muitos mais dias
que aqueles que vou existir.
E é em dias como este,
e como o de amanhã
que é feriado,
que preciso de estudar muito,
todo o muito que não sei estudar,
porque hoje em dia estudar
não é vulgar, mas é vulgar
ser-se inteligente estudando.
E eu preciso de estudar
aquilo que já foi estudado
para ficar estúpido e bruto,
pois ser estúpido e bruto
não é vulgar
e é a estudar que se fica
estúpido e bruto.
E eu não gosto de ser vulgar!

Pronto
foi assim que acordei,
foi quando a nuvem
deu lugar ao sol
nesta tarde –minha nocturna passagem pela Terra.



Joaquim Marques

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Fantasia

Era noite,
Noite de luar.
No meu quarto escuro,
Lá ao fundo,
No escuro infinito,
Acontecia um julgamento.
Dois réus,
Um só crime.
A sentença foi lida.
Um raio penetrou
E queimou.
Impune sociedade!
Fui obrigado a intervir,
E terminei:
‘Errar é próprio do Homem! ‘
Brotaram lágrimas,
Soaram aplausos.
Era noite,
Noite de luar.

Adormeci.


Joaquim Marques

domingo, 1 de abril de 2007

Sou assim:
Sou espontâneo e extemporâneo
Na procura que me ocupa
Ligada às preocupações
De fazer com que os outros se sintam bem
Junto do meu bem-estar.

Sou assim:
Sou ambíguo e retardado
Nas respostas que me exigem
Sobre atitudes não pensadas
Quando me não sinto bem
Junto do bem-estar dos outros.

Sou assim:
Moldo-me às diferentes situações

Que o conviver me apresenta.


Joaquim Marques