segunda-feira, 18 de junho de 2007

São potencialmente escuras
Estas manhãs de Outono
Deste tempo de ninguém.
Arrefece-me a lucidez exemplar
E gela-se a força das ideias diferentes
Porque dos óculos escuros
Não posso fazer uso
E o disfarce inusado
Desaglutina-me a emoção
Tão rouca como a voz
Que calo
Porque condiz com o estado de espírito
E de saúde
Muito iguais nas pessoas que reparam nestes dias.


Joaquim Marques

6 comentários:

Anónimo disse...

Continua a ser uma fonte de inspiração, visitar os seus poemas e os seus escritos, tocou-me de emoções especiais, particularmente o intitulado "Neste sofá", bom trabalho e obrigada
ps será que posso indicar o link do seu blog, no meu?
cla

Anónimo disse...

Como são escuras
Até as manhãs de Primavera!
Como são escuras
As manhãs da minha Alma!...

A Alma chora…
O Coração soluça…
O Espírito não sossega…
E a Felicidade e a Alegria
Não passam de uns fogachos
No pântano da minha Melancolia…

Estico os braços
Para agarrar a Lua…
Mas a Lua é impossível de alcançar!...
Então sinto uma dor
E choro desesperada…
Eu queria a Lua…
Mas não a posso ter!...

E vão continuar escuras
As manhãs da minha Alma!...

Isa

Luzinha disse...

É pelo poema ser sobre uma estação cinzenta , que o blog ficou sem musica?
Ou foi porque vc perdeu a musicalidade que ultimamente o presenteava?

JRL disse...

Nem mais Joaquim...

Dilma Damasceno disse...

Joaquim...

Este poema... vibrante, intenso, profundo,
e de singular beleza... mexeu e remexeu
com meus hormônios emocionais...
Conheço bem o Outono... e peço vênia
para fazer minhas, as suas palavras...
Mas, porque tenho a natureza indômita, gostaria de registrar um sentimento que aflorou enquanto lia os seus versos dotados de agudeza de espírito:

... E então, a confiança
de que posso amar ainda,
se mistura à esperança -
Tímida e triste. Pura e linda!

Pois, então, Poeta... como disse Alano das Ilhas:

"Depois das nuvens, o sol"!

Agora, uma manifestação especial:

Muito obrigada por haver postado o selo que humildemente lhe ofereci, e que desejo, possa proporcionar-lhe felizes trocas!...

Fraterno abraço, Dilma.

Audrey disse...

Dizem que nossa vida é um palco....
Somos atores...
E vestimos nossos disfarces....
Se a atuação for boa...conseguimos alcançar mais uma etapa...
Se não ...somos condenados a repetir e ser castigados por termos esquecido o texto...
Dessa vez deve ser repetido só que a exigência será maior....
Utilizamos o pouco que temos como complemento ...como ajuda no palco...
Palco que a mim só pertence...
Sou tudo...escrevo...dirijo...e atuo...
Mas os expectadores são muito críticos...
Porque cada um atua...em seus palcos...
Por mais que digamos que não somos uma ilha....no íntimo somos mais que uma ilha...somos um arquipelágo de situações teatrais...

Te adoro meu gatinho..