sábado, 16 de junho de 2007

Neste sofá


Ando muito cansado
Tudo me dói
As pernas, os braços
Os pensamentos
As memórias dos passos
Que fui dando
Os efémeros carinhos dos afectos.
Errante pela vida estou
Até ao mobiliário diferente uso dou
Sento-me refastelado
Neste sofá, acordado
E acordo ali deitado
Ainda mais cansado.
E assim passo os dias
As noites
Como se o momento fosse de intervalo
Meia hora ao sol
Na prisão onde fui condenado
A passar o meu tempo
Por algo que fiz e não lembro.

Joaquim Marques

2 comentários:

Luzinha disse...

É engraçado que o meu sofá não tem nada a ver com o seu, mas dava-me a mesma sensação, quando o utilizava com a frequência com que vc o faz.Mas este vicio fatidico até o sofá me roubou....
No entanto graças a ele tenho o prazer de o conhecer e de poder disfrutar da sua amizade.
Bem haja

Audrey disse...

O sofá nada mais é que um refúgio de nossos pensamentos...
É o único objeto de casa que nos faz ficar a vontade...não precisamos tecer rituais para dormir..ou pensar...
Sempre está lá...e nem precisamos arrumá-lo srrrsrs
Ele é de todos....não existe donos...e quem o usa mais torná-se cativo...
É estranho quando não o temos...
Parece que falta algo para o nosso cenário divã..
Divã doméstico...
Onde nós somos os próprios psiquiatras de nós...
Damos o diagnóstico .....e tão profundo são os pensamentos que caímos em profundo sono...ou hipnose...
Não existe hora marcada...apenas ele espera...
Quem vier primeiro será o seu cliente preferencial...
Até que se levante e toma lugar outro alguém....

Adoro vc meu gato..
Bjs