terça-feira, 13 de março de 2007

Vi um rapaz
subir a uma árvore.
O cão ladrava
e o rapaz subia à árvore
e a árvore não era minha
e eu já tinha subido aquela árvore.

Decididamente o cão ladrava,
sem parar, ladrava, ladrava...
E eu parado olhava
olhava a figura triste que fiz
que todos fazem, que o rapaz fazia.

E o cão ladrava.
E eu observava:
Penas ! Foram só penas!
Não! Não foram só penas!
Foi carne, foi vida,
foi o fado de um pardal.

E eu parado olhava
A figura triste que fiz.

Ódio, pedras, paus,
gritos, berros...
ai malandro que!...
não o apanharia jamais.
E o pardal estava morto
e o rapaz tinha fome!

Joaquim Marques Cruz

2 comentários:

Audrey disse...

Ah minha infância....árvores, cães....como gostava...
Como fazia deles meus companheiros e como conseguia entender..rs
Mais uma vez meu gato...vc consegue superar um pedacinho de mim...
bjs
Audrey

Anónimo disse...

À criança que existe em cada um
Sorri que a vida é uma doce aventura
Tem fé no amor e na magia,
Com um bem concreto sentido
O sentido do dever cumprido
Sempre, sempre enquanto dura.

Sorri pois a vida embora imperfeita
Não nos fez nenhum crime cometer
Vamos sujar-nos no lamaçal,
Empoeirar sapatos com a bola,
a uma árvore trepar.
E olha que esta vida passa a correr.

Mas nada como cara lavada que se deita
Sem mácula grave ter colheita
Ou grave culpa para se arrepender!
Segue...
o pardal ressuscitar
e o menino alimentar!

:)