sábado, 31 de dezembro de 2016

Ainda assim 3

Gosto da tua música, ainda assim gosto mais mais do silêncio. 

Joaquim Marques AC 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Ainda assim 2

Sou um andarilho, gosto de viajar, conheço quatro Continentes e já morei em três, ainda assim o que mais gosto é de ficar em casa.

Joaquim Marques AC

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Ainda assim 1

Estou muito feliz por estar aqui, ainda assim estou mais feliz por não estar aí.

Joaquim Marques AC

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Nunca tirámos uma selfie
Nem nunca nos olhámos ao espelho, juntos
Nunca nos vimos juntos e invertidos
Claro! nunca estivemos juntos
Mas conhemo-nos bem, eu conheço-te bem
Mas não te conheço invertida
Triste e divertida, conheço
Só não conheço a tua voz
A seis de Janeiro vou pedir à Lua
Que até cinco meses após
Eu possa ter uma selfie tua.


Joaquim Marques AC


domingo, 11 de dezembro de 2016

Longo já vai o dia
Já é meio dia e eu nem sabia
Estou com fome e sede de matar
Esfolar, amanhar, temperar
E finalmente cozinhar
A maldita nostalgia.
Se me der desinteria?
Faço como todo mundo faria
Muita águinha, aqui e acolá uma mezinha
E toca a ir dormir descansado
Virar-me para o outro lado
Que amanhã será um novo dia.

Joaquim Marques AC

terça-feira, 3 de maio de 2016

Hoje eu vou fazer de tudo
Para não fazer nada
E ficar o dia todo
À tua espera!

Joaquim Marques

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Dilma

O meu amor não morre
às vezes escorre
naquela lágrima pela face abaixo
mas, o meu amor não chora, lamenta
que tantas vezes seja necessário enfrentar a tormenta
O meu amor me acompanha
não estou só e parece que a solidão é tamanha
mas, não é... E não sendo
tendo a namorar com ela...
Tamanho é o Universo e ao teu encontro vou em cada verso
da lágrima salgada alimento-me dos cloretos
e deles faço sonetos
que não saem para o papel
O meu amor é doce e puro como mel
e o mel não tem prazo de validade
nem a doçura, nem a saudade
nem a eterna Eternidade para onde foste descansar.

Joaquim Marques AC


sábado, 12 de abril de 2014

Redes

A primeira rede que conheci foi o mata-moscas
depois, reparei melhor nas janelas da casa
abertas, só entrava a brisa e nenhum insecto
era a rede mosquiteira
depois cresci e descobri a pesca e os pescadores
e as redes que com mais propriedade e menos esforço
traziam peixes do mar para morrerem afogados no ar
e fui andando no meu descobrir:
com redes espetadas num pau, apanhava borboletas
diferente da rede espetada em dois paus
inventada para descansar o esqueleto.
Até ficar maduro, tudo era como sempre foi
até inventarem a social, a rede internacional
onde quase o mundo inteiro foi apanhado
todos falam e ninguém diz nada e gostam uns dos outros
da foto mundana às frases feitas, curtas e ocas:
ou sou eu, a quem me deu a louca
ou são eles que só gostam de gostar de coisa pouca.


Joaquim Marques AC

terça-feira, 8 de abril de 2014

Sem inspiração, sem coração, sem emoção
quem sou eu? Um vagabundo sem trouxa
Não me queiras, nem ler
Sinto-me morto e não sei o que é morrer
quem sabe quando nasceu? Crê, acredita
faz fé na desdita e cresce, faz-se à estrada
tão longa é a caminha, culpa do mundo que é redondo
andamos às voltas e não saímos do mesmo sítio
talvez, um dia com um foguete no rabo
para subir lá acima e me estatelar cá em baixo
depois, olho para o lado e não te vejo
tenho fome e das letras já não me sustento
sem inspiração sou mais um jumento
sem coração mais um violento
sem emoção mais um que escreve linhas sobrepostas
que por serem mal postas, sou igual a ti
que pensas que és o que querias ter sido
venha antes a morte, muito antes de ter morrido
a felicidade é dos que não pensam,
eu penso tanto no conteúdo da minha trouxa
que já não tenho forças para carregar tanto vazio.

Joaquim Marques AC

domingo, 30 de março de 2014

Quem sai de um buraco, sobe
até o poeta bêbado sabe disso
eu subi, subi, subi e não vou voltar a descer
e como gostei tanto da escalada, subindo
vou continuar a caminhada
talvez te encontre lá mais acima.
Só não entendo porque é que enterram os mortos
se o destino, pelo menos o meu, é o Céu
e é subindo que se lá chega...
Não queiras morrer comigo, ou por mim
dás-me a mão e vamos subindo
quando estivermos muito alto e muito frio
agarraste a mim e juntos construiremos uma cabana
uma coisa provisória,  bio-degradável
afinal, o nosso destino é ir subindo, fica cá tudo...

Joaquim Marques AC